Vinícius de Moraes foi um poeta e compositor brasileiro. Além de ter trabalhado com música e poesia, dedicou-se também ao teatro, ao cinema e à diplomacia. Casou-se nove vezes. Um de seus versos mais famosos, que trata do amor, diz: “Que não seja imortal, posto que é chama / Mas que seja infinito enquanto dure”. Faz parte de seu poema “Soneto de fidelidade”. Vinícius tinha o apelido de “Poetinha”.

Infância e juventude

Marcus Vinitius da Cruz e Melo Moraes nasceu no dia 19 de outubro de 1913, no Rio de Janeiro. Tinha dois irmãos, Lygia e Helius. Conta-se que aos 9 anos foi com a irmã a um cartório para mudar seu nome para Vinícius de Moraes. Sua mãe, Lídia Cruz Moraes, tocava piano muito bem. O pai, Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, fazia poesias às vezes. Na adolescência, Vinícius formou uma banda com amigos de colégio e, juntos, passaram a animar festinhas de familiares e conhecidos. Em 1928, com 15 anos, compôs suas primeiras músicas, em parceria com dois integrantes da banda, Paulo e Haroldo Tapajós: “Loura ou morena” e “Canção da noite”.

Cursou a faculdade de direito e, no ano em que se formou, 1933, publicou seu primeiro livro, O caminho para a distância, com quarenta poemas. A partir daí, mergulhou na escrita de outras obras, entre elas Forma e exegese, pela qual recebeu o prêmio Felipe de Oliveira, em 1935. Um ano depois, iniciou amizade com os poetas Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira.

Diplomacia e jornalismo

Vinícius muitas vezes fez das namoradas a grande fonte de inspiração para sua poesia. Seu primeiro casamento foi com Beatriz Azevedo de Melo, em 1939, com quem teve sua primeira filha, Susana. Teve outros quatro filhos com outras de suas mulheres.

Tinha uma curiosidade ampla e irrestrita por todas as formas de expressão cultural. Trabalhou como jornalista, escrevendo críticas de cinema e teatro, e teve carreira diplomática.

O poeta participou ativamente de grupos literários, fazendo amizade com os escritores mais importantes de sua época, como Fernando Sabino, Otto Lara Rezende e Paulo Mendes Campos, além de artistas plásticos e arquitetos. Muitos deles encontraram espaço para seus trabalhos no suplemento literário de O Jornal, dirigido por ele em 1944.

Em 1946, Vinícius de Moraes viajou para Los Angeles, nos Estados Unidos, onde assumiu o posto de vice-cônsul, o primeiro de sua carreira diplomática. Ali aprendeu cinema e lançou a revista Film. Todas essas atividades fizeram dele um homem muito culto, aberto e com muita vontade de inovar. Estava sempre rodeado de amigos.

Em abril de 1969, Vinícius foi expulso dos quadros do Itamarati (Ministério das Relações Exteriores) pelo governo do regime militar instaurado no Brasil em 1964. Investigado e espionado, foi punido por levar vida boêmia. Outros treze diplomatas sofreram o mesmo tipo de perseguição.

Música e poesia

Ao mesmo tempo em que trabalhava como diplomata, Vinícius publicava livros de poesia (Poemas, sonetos e baladas, Cinco elegias e Pátria minha), se aventurava no cinema e no teatro e ensaiava seu retorno à música.

Em 1954, lançou Antologia poética e publicou a peça teatral Orfeu da Conceição. A peça serviu de inspiração a um filme francês chamado Orfeu negro, que ganhou o prêmio máximo no Festival de Cannes e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1959.

Dois anos depois, lançou um de seus poemas mais conhecidos, “O operário em construção”, e iniciou parceria com o músico Tom Jobim, com quem compôs o repertório do disco Canção do amor demais, gravado pela cantora Elisete Cardoso e pelo então desconhecido violonista João Gilberto. O disco é um marco da bossa nova.

A partir da década de 1960, a carreira musical de Vinícius decolou. A essa altura, ele já era poeta conhecido e admirado. São desse tempo as músicas “Garota de Ipanema” e “Samba da bênção”, feitas em parceria com Tom Jobim e Baden Powell, respectivamente. Com Baden Powell, Vinícius gravou também um importante disco de afro-sambas. Em 1962, lançou o livro de poemas e crônicas Para viver um grande amor.

Nos anos 1970, iniciou uma longa parceria com Toquinho, com quem compôs “Tarde em Itapoã”, entre outras músicas. Nessa fase, gravou discos e realizou apresentações na Itália. Foi nesse período que lançou também o livro de poesias infantis A arca de Noé, que rendeu também um disco em dois volumes com as músicas compostas por ele. É uma das mais importantes obras do gênero no Brasil.

Em sua extensa produção musical, Vinícius teve inúmeros parceiros. Além de Toquinho, fez músicas com Ari Barroso, Pixinguinha, Baden Powell, Moacir Santos, Nilo Queiroz, Vadico, Tom Jobim, Edu Lobo e Carlos Lyra.

Vinícius de Moraes morreu no dia 9 de julho de 1980, depois de sofrer um derrame cerebral. Em 17 de março de 2010, a Comissão de Constituição e Justiça, do Senado brasileiro, aprovou sua promoção póstuma ao posto de embaixador. Foi uma forma de reconhecer a perseguição política de que foi vítima e de reparar seu afastamento do serviço público.

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