O anarquismo foi uma das filosofias políticas que se desenvolveram na Europa no século XIX. A palavra anarquismo tem origem grega e quer dizer “sem governo”.

Os anarquistas são contra qualquer forma de ordem hierárquica e consideram o governo e o Estado desnecessários. De acordo com essa ideia, os grupos humanos poderiam se organizar por conta própria, de forma igualitária e não hierárquica (sem chefes nem subordinados). Os anarquistas acreditam que os governos corrompem a organização social, em vez de contribuir para ela. Afirmam que o Estado age contra a sociedade, inibindo sua capacidade de auto-organização e dando origem à desigualdade social.

Uma das principais vertentes do anarquismo foi o anarcossindicalismo, ligado aos sindicatos de trabalhadores. Os anarcossindicalistas acreditavam que era possível utilizar os sindicatos para mudar a sociedade. A difusão do pensamento anarquista nas organizações sindicais ganhou força significativa em países como França, Itália, Espanha e também no Brasil.

História

Pierre-Joseph Proudhon é considerado o fundador do anarquismo. O russo Mikhail Bakunin e o italiano Errico Malatesta foram dois de seus principais teóricos.

O anarquismo desempenhou importante papel nos grandes conflitos da primeira metade do século XX. Durante a Revolução Russa de 1917, tentou-se implantar o anarquismo na Ucrânia, mas os socialistas, liderados por Lênin, impediram. Durante a Guerra Civil Espanhola, nos anos 1930, os anarcossindicalistas chegaram a controlar as regiões de Catalunha e Aragão, antes de serem derrotados.

Após a Segunda Guerra Mundial, o anarquismo perdeu prestígio no movimento operário europeu. Porém, continuou a influenciar revoltas populares, como o movimento estudantil de Maio de 68, na França, a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, na década de 1960, e os vários protestos contra a Organização Mundial do Comércio e o Fundo Monetário Internacional no fim do século XX.

Anarquismo no Brasil

O anarquismo chegou ao Brasil no fim do século XIX, trazido pelos imigrantes europeus, sobretudo os italianos. A principal experiência brasileira baseada em ideias anarquistas foi a Colônia Cecília, instalada em terras doadas pelo imperador Dom Pedro II, no município de Palmeira, no Paraná. Dirigida por Giovanni Rossi e outros imigrantes italianos, a colônia durou de 1890 a 1893 e chegou a ter cerca de 250 pessoas.

A ideologia anarquista predominou no movimento operário brasileiro nos primeiros trinta anos do século XX, principalmente em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. Os anarquistas estiveram por trás das grandes greves de 1917 (São Paulo), 1918 (Rio de Janeiro) e 1919 (São Paulo e Rio de Janeiro).

Com a fundação do Partido Comunista, em 1922, e a forte repressão do governo de Getúlio Vargas, o anarquismo perdeu espaço no movimento operário brasileiro. Hoje, as teorias anarquistas não têm a mesma força de mobilização e confronto direto. Apesar disso, como no resto do mundo, a ideia de ausência de autoridade tem inspirado diversos movimentos, como o Acampamento Internacional da Juventude (AIJ) do Fórum Social Mundial (evento que reúne uma série de grupos e pessoas em busca de alternativas para o mundo atual). O AIJ se estabeleceu como uma organização horizontal, sem líderes.

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