É difícil imaginar hoje como era a vida das pessoas antes dos automóveis, ou carros. Eles permitiram que as pessoas se locomovessem facilmente de uma cidade a outra, ou através dos países. Influenciaram também os lugares em que as pessoas moram. Antes, elas tinham que morar perto do trabalho, mas puderam passar a viver em lugares mais distantes e dirigir até o trabalho.

Por outro lado, os automóveis trouxeram problemas. Milhares de pessoas ficam feridas ou morrem em acidentes de trânsito todo ano. Com frequência as cidades ficam congestionadas com engarrafamentos. E a gasolina é um recurso limitado que polui a atmosfera ao ser queimada como combustível.

Tipos de automóvel

Há carros de diversos tipos e desenhos. No início, a maior parte dos carros era aberta, sem teto fixo. Hoje, com exceção dos conversíveis, quase todos os carros são fechados.

Os tipos mais comuns são os cupês e os sedãs. O cupê é um carro de duas portas com assentos traseiros menores. O sedã costuma ter quatro portas e de quatro a seis assentos, além de um compartimento para bagagens, chamado porta-malas. O sedã pode ter uma porta traseira também (a do porta-malas, integrado ao assento traseiro dos passageiros). Nesse caso, o sedã é chamado de hatchback.

O carro esporte é mais baixo, perto do chão, e em geral não tem assento atrás. As peruas têm maior capacidade de carga. No fim do século XX, contudo, foram em grande parte substituídas por minivans e veículos utilitários esportivos.

Partes do automóvel

Todos os automóveis têm algumas partes básicas. A carroceria do automóvel é como um casco externo que envolve as partes mecânicas do veículo e os passageiros. A maior parte das carrocerias é feita de aço, mas algumas são de plástico muito resistente ou de fibra de vidro. A carroceria é fixada ao chassi. O chassi é uma estrutura que mantém juntas todas as outras grandes partes do veículo. Essas outras partes são o motor, o sistema de direção, os freios e as rodas.

Como funciona o automóvel

O motorista faz o carro funcionar acionando a chave que liga o motor, pressionando os pedais para avançar ou parar e girando a direção conforme o caminho que o carro deve seguir. Tudo isso funciona como parte de um conjunto muito maior: motor, sistema de transmissão e sistema de suspensão. Basicamente, é com isso que um automóvel funciona.

Motor e partes relacionadas a ele

A maior parte dos automóveis é alimentada por um motor de combustão interna. Nesse tipo de motor, uma mistura de ar e gasolina (ou etanol) entra em cilindros em forma de tubo através de válvulas. Lá a mistura faz pequenas explosões. Cada explosão produz gases que se espalham rapidamente e empurram os pistões, situados em uma das extremidades dos cilindros. Os pistões se levantam e se abaixam conforme os gases se dilatam e se contraem. Bielas (longas varas) ligadas aos pistões transformam esse movimento na energia que finalmente faz girar as rodas. A maioria dos motores de automóveis tem de quatro a oito cilindros.

A mistura de ar e combustível que entra no motor não pode se inflamar sozinha. Ela precisa de uma faísca elétrica. Essa faísca é produzida por uma peça chamada vela de ignição. As velas pegam a corrente elétrica da bateria. As luzes, a buzina, as setas, os limpadores de para-brisa, o motor de arranque e outros instrumentos, como o medidor de gasolina, também funcionam graças à bateria.

O sistema de escapamento leva os gases carburados do motor para o silenciador. O silenciador esfria os gases e reduz sua pressão. Isso diminui o barulho que sai do escapamento. Os carros modernos também são equipados com um conversor catalítico. O conversor catalítico utiliza reações químicas para reduzir os gases poluentes eliminados pelo escapamento.

O motor de combustão interna fica muito quente. Por isso, o carro precisa ter um sistema de refrigeração, que pode ser a água ou a ar. Em um sistema de refrigeração líquida, o fluido refrigerante (água com anticongelante) passa em volta dos cilindros e ameniza o calor. O fluido refrigerante é então bombeado através do radiador para esfriá-lo.

Sistema de transmissão

O motor fornece a energia que faz o carro andar, mas algo mais precisa fazer girar as rodas. A parte do carro que transmite ou leva a energia do motor até as rodas é chamada sistema de transmissão. Quando o carro dá a partida ou sobe uma ladeira, o motor precisa transmitir mais energia do que quando ele anda em uma superfície plana. A transmissão utiliza engrenagens para reduzir ou aumentar a velocidade ou a energia do motor. A árvore de transmissão leva a energia do sistema de transmissão até os eixos que conectam as rodas.

Outras partes mecânicas

É importante que um carro em movimento seja capaz de parar. Quando o motorista pressiona o pedal do freio, pistões hidráulicos enviam fluido por pequenos tubos flexíveis para frear cada roda e fazer o veículo parar.

As rodas do carro fazem parte do chamado sistema de suspensão. Ele é feito de molas que absorvem os choques e de amortecedores que protegem o movimento das molas. Os pneus do automóvel, cheios de ar, também servem de amortecedores. Eles têm uma superfície áspera que ajuda a evitar que deslizem sobre superfícies escorregadias.

História

O automóvel é um bom exemplo de invento que resulta do esforço e do conhecimento de muitas pessoas ao longo dos séculos. O primeiro automóvel verdadeiro era uma máquina de três rodas e funcionava a vapor. Foi construído por Nicolas-Joseph Cugnot na França, em 1769. Era pesado e se movimentava lentamente. Vários construtores produziram automóveis movidos a vapor no fim dos anos 1890 e no começo do século XX. O inconveniente do vapor é que era preciso esperar a água ferver antes de o carro poder andar.

Na mesma época, outros fabricantes construíram carros movidos com motor elétrico. O carro elétrico funcionava sem problema e era fácil de dirigir. Contudo, não conseguia alcançar altas velocidades. E também precisava recarregar a bateria, em geral a cada 80 quilômetros.

Motores a gasolina

Étienne Lenoir desenvolveu na França um motor de combustão interna alimentado a gasolina, em 1860. Em 1876, o alemão Nikolaus Otto construiu um motor a gasolina mais sofisticado. Os motores a gasolina provaram ser mais confiáveis do que os de outros tipos. Os irmãos Charles E. e J. Frank Duryea construíram em 1893, com sucesso, o primeiro carro alimentado a gasolina nos Estados Unidos. Logo muitas pessoas abriram fábricas para construir carros.

O desenvolvimento da indústria automobilística

Em 1896, Henry Ford construiu seu primeiro automóvel em Detroit, nos Estados Unidos. Em 1913, ele introduziu as linhas de montagem, que permitiram produzir muitos carros de forma rápida. Os trabalhadores da linha de montagem ficam em um só lugar e realizam apenas uma tarefa, enquanto as partes passam por uma esteira transportadora. (Charles Chaplin, o Carlitos, em seu filme Tempos modernos, mostra o lado cruel do trabalho em uma linha de montagem, em que o trabalhador vira, ele também, uma máquina, uma engrenagem, não tirando prazer daquilo que faz.) Logo Ford vendeu milhões de carros. O seu Modelo T foi particularmente popular. Várias outras companhias também foram fundadas na mesma época.

Inovações

Na época que se seguiu à Primeira Guerra Mundial (1914-1918), os automóveis se tornaram mais fáceis de utilizar e mais confortáveis. Itens como carrocerias de aço e aquecimento interno ficaram comuns.

Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os fabricantes de automóveis começaram a utilizar sistemas auxiliares de transmissão, freios e controle remoto de vidros e assentos. O ar-condicionado também se tornou disponível.

No fim dos anos 1950, os carros compactos europeus, como o Fusca alemão, da Volkswagen, fizeram muito sucesso. Os fabricantes dos Estados Unidos começaram a produzir carros compactos em 1959.

O problema do combustível

A gasolina utilizada nos automóveis vem do petróleo. Para economizar suas próprias reservas de petróleo, os Estados Unidos começaram a procurar outros países fornecedores. Em 1973, os países produtores de petróleo reduziram a oferta do produto no mercado mundial. Isso causou o aumento do seu preço e provocou filas nos postos de gasolina. Também levou os construtores de automóveis a produzir carros que não consumissem tanta gasolina. As companhias japonesas tiveram êxito nesse sentido.

Os automóveis também são responsáveis pela poluição do ar. A gasolina carburada produz gases nocivos. Novos tipos de gasolina e de conversores catalíticos ajudam a aliviar esse problema. Mesmo assim, vários cientistas culpam esses gases de serem responsáveis por um problema chamado aquecimento global. A maioria das pessoas passou a ficar ainda mais preocupada a partir da década de 1990. Muitos usuários, no entanto, começaram a substituir seus carros por modelos utilitários próprios para aventuras no campo. Esses carros utilizam grande quantidade de gasolina e produzem mais gases nocivos. No começo do século XXI, alguns fabricantes passaram a produzir veículos híbridos, que combinam a gasolina com a energia elétrica, para diminuir a poluição.

Entre as soluções de longo prazo propostas para reduzir ou até resolver o problema do petróleo está a produção de outros combustíveis, renováveis e menos poluentes, como o biocombustível, produzido a partir de matéria orgânica (plantas ou lixo). O Brasil é um dos principais produtores de etanol, feito da cana-de-açúcar, e que serve de combustível para os carros flex (carros híbridos, alimentados a gasolina e a álcool). Outra solução em estudo consiste em criar frotas de veículos alimentadas apenas com baterias elétricas ou por células de combustível de hidrogênio.

Segurança

A segurança dos automóveis é questão permanente. Os primeiros carros eram muito perigosos. Desde então, os construtores procuraram criar veículos mais seguros. Instalaram vários equipamentos, como os cintos de segurança e os air bags, para proteger os passageiros em caso de acidente. Também tentaram melhorar a maneira de construir os carros e os materiais utilizados, de forma que os carros sofram menos danos em caso de acidente e preservem a vida dos usuários.

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