Os bandeirantes eram pessoas que, no início da colonização do Brasil, participavam das expedições desbravadoras pelo interior do país. Chamadas bandeiras, elas foram realizadas a partir do início do século XVII e por todo o século XVIII. Nessa época eram organizados dois tipos de expedições: as entradas, que eram expedições oficiais e começaram a ser feitas antes, no século XVI, e as bandeiras, que eram de iniciativa particular.

Dom Francisco de Sousa, governador-geral da capitania de São Vicente de 1599 a 1605, foi quem organizou as primeiras bandeiras.

Os bandeirantes saíam de São Paulo e tinham o rio Tietê como um de seus principais meios de acesso ao interior do continente. Chegavam a participar das bandeiras mais de 2 mil homens, entre brasileiros descendentes de portugueses e caboclos ou mamelucos, denominação dada aos mestiços de índio com branco. O comando, porém, era sempre de paulistas de origem portuguesa.

Os bandeirantes entravam pelo sertão ainda inexplorado do Brasil para caçar e aprisionar índios, que eram vendidos como escravos para os fazendeiros, e também para ir em busca de riquezas minerais, como ouro, prata e pedras preciosas.

As bandeiras acabaram exercendo papel importante na posse, expansão e consolidação do território brasileiro, pois, ao contrário do que ocorria nas entradas, seus expedicionários ultrapassavam as fronteiras que o Brasil tinha à época, definidas pelo Tratado de Tordesilhas — acordo firmado entre Portugal e Espanha que dividia a posse das terras do Novo Mundo, então recém-descoberto. As bandeiras alcançaram a Bolívia e o Uruguai.

Os bandeirantes tiveram importância também no povoamento do Brasil. Por onde passavam, abriam trilhas e caminhos, às margens dos quais se formaram pequenos povoados — no interior de São Paulo, em Minas Gerais, em Mato Grosso e em Goiás.

As expedições comandadas pelos bandeirantes contribuíram para desenvolver a economia da colônia, e suas descobertas de metais e pedras preciosas possibilitaram o início do Ciclo do Ouro.

O lado negativo das bandeiras

As expedições comandadas pelos bandeirantes dizimaram diversos povos indígenas. Os índios que não se submetiam à escravidão eram mortos sem piedade. A mesma violência era utilizada na caça a escravos foragidos. Foi o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho quem destruiu, em 1695, o Quilombo dos Palmares, em Alagoas, e levou à morte seu líder, Zumbi dos Palmares.

Na caça e escravização de índios, os bandeirantes entraram em conflito direto com os jesuítas. Destruíram as missões jesuíticas espanholas, que trabalhavam na catequização dos índios, nas regiões onde hoje estão os estados de Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Por volta de 1640, conseguiram expulsar os jesuítas de São Paulo, sendo que os padres dessa ordem é que haviam fundado a cidade.

Bandeirantes mais famosos

Os bandeirantes mais conhecidos foram Fernão Dias Pais Leme e seu genro Manuel Borba Gato, Antônio Raposo Tavares, Bartolomeu Bueno da Silva (o Anhanguera) e Domingos Jorge Velho.

Fernão Dias Pais Leme desbravou os sertões dos atuais estados de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em 1640, ajudou a expulsar os holandeses que ameaçavam invadir o litoral de São Paulo. Em 1674, quando já estava com 66 anos, organizou, com o genro Manuel Borba Gato, uma bandeira para buscar esmeraldas na serra de Sabarabuçu, em Minas Gerais. Morreu sete anos depois, vitimado pela malária, acreditando que as turmalinas que havia encontrado eram as sonhadas esmeraldas.

Antônio Raposo Tavares, o Velho, era um português que vivia em São Paulo. Esteve ao lado de Manuel Preto, comandante da bandeira de 1638, que foi expulsar os jesuítas espanhóis estabelecidos nas reduções de Guairá, no atual Paraná, e de Tapes, onde hoje é o Rio Grande do Sul. De 1639 a 1642 integrou as forças paulistas que lutaram contra as invasões holandesas na Bahia. Raposo Tavares foi o autor de um dos maiores feitos dos bandeirantes. Em 1648, embrenhou-se com seus homens pelo Paraguai e percorreu grande parte da região amazônica, até chegar à foz do rio Amazonas. Uma viagem de 10.000 quilômetros.

Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, penetrou, em 1676, pela primeira vez no território que hoje pertence ao estado de Goiás, chegando até o rio Araguaia. Para fazer os índios revelarem o local das minas de ouro de onde tiravam seus ornamentos, Bueno pôs fogo numa tigela cheia de aguardente e ameaçou incendiar todos os rios e fontes. Por isso, ganhou o nome de Anhanguera, que em tupi significa “diabo velho”.

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