Cidade histórica é toda cidade que tem construções de valor histórico. Geralmente são casas, igrejas e outras edificações antigas.

As cidades históricas guardam a memória do povo. Caminhando por suas ruas, é possível ter ideia de como a população vivia em outros tempos e conhecer o local de importantes acontecimentos históricos.

No Brasil, considera-se cidade histórica aquela que tem construções tombadas por um órgão público federal, estadual ou municipal. Uma construção “tombada” não pode ser derrubada nem alterada.

Algumas cidades brasileiras são consideradas Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela UNESCO, órgão da ONU responsável pela ciência, pela educação e pela cultura.

Igreja, pelourinho e cadeia

Nas cidades brasileiras, muitas construções históricas datam da época em que o Brasil era colônia de Portugal. São, por isso, denominadas construções coloniais.

Quando os portugueses fundavam uma vila no Brasil, as primeiras providências eram construir uma igreja, um pelourinho e uma casa de câmara e cadeia. A igreja marcava o projeto de disseminar a fé cristã nas terras conquistadas. O pelourinho, uma coluna de pedra erguida em local público, servia para açoitar os transgressores. A casa de câmara e cadeia reunia as funções administrativas, legislativas e judiciais; era ali também que ficavam detidos os condenados. Essas construções coloniais ainda podem ser encontradas em várias cidades brasileiras.

Minas Gerais e Bahia, por exemplo, têm igrejas dos séculos XVII e XVIII. Algumas foram construídas no estilo barroco. Em Minas Gerais, elas podem ser visitadas em Ouro Preto, Tiradentes, Mariana, São João del Rei, Diamantina, Sabará e Congonhas — as sete principais cidades históricas mineiras. Em Salvador, capital da Bahia, uma das construções barrocas é a Igreja e Convento de São Francisco.

O pelourinho também está presente em várias cidades históricas. O mais famoso do Brasil é o de Salvador. O próprio centro histórico da cidade acabou recebendo o nome de Pelourinho. Há também pelourinhos em outras cidades, entre elas Mariana, Paranaguá (no Paraná), Alcântara (no Maranhão) e Óbidos (no Pará).

A mesma importância histórica têm as casas de câmara e cadeia ainda preservadas no Brasil. Elas são encontradas em diversas cidades, como Mariana, Alcântara,Rio de Janeiro, Porto Seguro (na Bahia), Pirenópolis (em Goiás), Lapa (no Paraná) e Santos (em São Paulo). Algumas ainda são usadas com funções administrativas.

A casa de câmara e cadeia era construída na praça central da cidade, perto da igreja, simbolizando o poder e a autoridade.

Além dessas construções, o Brasil tem outras edificações tombadas por seu valor histórico, dentre elas moradias, mercados, instalações portuárias, pontes, estações ferroviárias, fazendas, coretos, cemitérios, teatros, escolas e monumentos.

Bahia: a Costa do Descobrimento

No sul da Bahia fica a região conhecida como Costa do Descobrimento, pois foi ali que aportaram os primeiros colonizadores portugueses.

Em Porto Seguro, a antiga Casa de Câmara e Cadeia, concluída em 1772, é preservada e abriga um museu. Nele há esculturas e móveis dos séculos XVII e XVIII. Outras construções do centro histórico tombado são a Matriz de Nossa Senhora da Pena e a Capela do Colégio do Salvador. A própria estrutura da cidade é uma memória dos tempos coloniais. A separação da cidade em duas regiões, Cidade Alta e Cidade Baixa, é herança da colonização portuguesa. Na parte Alta ficavam a sede do poder português e a Igreja; na parte Baixa, o comércio.

Arraial d’Ajuda é um distrito integralmente tombado pelo patrimônio histórico. Em Trancoso, antiga vila jesuíta, o traçado urbano ainda é o mesmo dos tempos coloniais: casas dispostas em torno de um retângulo, com a igreja de São João Batista ao fundo.

Nordeste: açúcar e invasões

Em Alagoas, a cidade histórica de Penedo foi palco de disputas entre holandeses e portugueses no século XVII. Os holandeses construíram ali um forte, que chamaram de Forte Maurício de Nassau. O forte foi destruído, mas a presença holandesa marcou a arquitetura colonial da cidade. Entre suas construções históricas há igrejas e sobrados dos séculos XVII e XVIII.

As cidades alagoanas de Marechal Deodoro e Porto Calvo abrigam também importantes construções históricas.

Olinda, em Pernambuco, recebeu da UNESCO o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Fundada em 1537, foi incendiada pelos holandeses em 1631 e posteriormente reconstruída. Preserva diversas construções que remetem aos séculos XVII a XIX, como casario histórico e igrejas com arquitetura barroca.

Minas Gerais e Goiás: circuito do ouro

As cidades históricas de Minas Gerais formam o circuito do ouro e do diamante. São cidades surgidas nos séculos XVIII e XIX, impulsionadas pela descoberta de minérios. Nelas, muitas ruas, obras de arte, igrejas e prédios da época estão preservados.

Ouro Preto, palco da Inconfidência Mineira, é notável pelo conjunto de prédios históricos conservados. Na fachada da Igreja de São Francisco de Assis há esculturas de Aleijadinho.

Em Tiradentes, a Igreja Matriz de Santo Antônio, construída entre 1725 e 1810, tem o interior todo coberto de ouro. A fachada é uma das últimas obras de Aleijadinho.

Mariana preserva a Casa da Câmara e Cadeia, construída em 1784 e hoje sede da prefeitura. É considerada uma das principais obras da arquitetura colonial do Brasil.

Em São João del Rei fica uma das obras-primas de Aleijadinho, a igreja de São Francisco de Assis, construída em 1774. O complexo ferroviário da cidade também é tombado pelo patrimônio histórico. Há locomotivas originais, que funcionam a vapor, algumas fabricadas antes de 1880.

No museu da Catedral de Santo Antônio, em Diamantina, está guardada toda a história da mineração de diamantes na região. A cidade preserva também uma igreja construída por escravos em 1733, a igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.

Em Sabará, os destaques são a igreja Matriz de Nossa Senhora de Conceição, datada de 1701, e a Capela de Nossa Senhora do Ó, erguida em 1717.

Em Congonhas estão os doze profetas bíblicos esculpidos em pedra-sabão entre 1800 e 1805 por Aleijadinho. Há também 66 figuras em tamanho real, esculpidas em madeira, que compõem as estações da Via-Sacra.

Assim como em Minas Gerais, as cidades históricas de Goiás testemunharam as expedições dos bandeirantes e a descoberta de ouro.

Nas cidades de Goiás e Pirenópolis, o casario colonial guarda a memória do século XVIII. A cidade de Goiás, com centenas de imóveis tombados, também recebeu da UNESCO o título de Patrimônio Cultural da Humanidade.

São Paulo e Rio de Janeiro: bandeirantes, ouro e café

Duas importantes cidades históricas do estado do Rio de Janeiro são Parati e Petrópolis. Em São Paulo, destacam-se Bananal, Paranapiacaba, Santana de Parnaíba, Cunha, São Luís do Paraitinga, Santos e São Vicente.

Parati foi fundada em 1660 e preserva um rico conjunto arquitetônico colonial. O povoado se desenvolveu em torno do porto, pelo qual o ouro extraído em Minas Gerais era embarcado para o Rio de Janeiro e para a Europa.

Petrópolis tem um valioso patrimônio histórico do século XIX. Situada na região serrana do estado do Rio de Janeiro, preserva diversas construções do tempo do império. Uma delas é o Palácio de Verão, que dom Pedro II mandou construir para fugir dos quentes verões do Rio de Janeiro. As obras duraram quase vinte anos, de 1845 a 1864. O palácio abriga hoje o Museu Imperial, com muitos móveis e objetos de época.

O mesmo período histórico é contado nas construções preservadas de Bananal, no vale do Paraíba. Os ricos fazendeiros, chamados então de barões do café, ergueram fazendas suntuosas que ainda hoje podem ser visitadas. No centro da cidade, construíram sobrados luxuosos. Muitas dessas construções são tombadas.

A vila inglesa de Paranapiacaba foi criada pelos funcionários da São Paulo Railway na década de 1860, no alto da serra do Mar. A ferrovia ligava as cidades do interior ao porto de Santos, levando passageiros e escoando a produção de café. A vila ainda tem casas do século XIX, locomotivas a vapor e vagões de madeira.

Santana de Parnaíba, ponto de partida de expedições bandeirantes, tem muitas casas dos séculos XVII e XVIII. Uma delas é a casa onde teria morado o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera.

Cunha, cidade histórica com grande quantidade de construções tombadas, guarda a memória da exploração de ouro e da produção de café na região, nos séculos XVIII e XIX. Do mesmo período é o casario histórico de São Luís do Paraitinga.

Também há construções de grande valor histórico no município de Santos, muitas delas tombadas. É o caso da Bolsa Oficial de Café, de 1922, onde se concentravam as negociações cafeeiras do país.

Em São Vicente, cidade fundada em 1532, um dos bens históricos é a ponte pênsil, a primeira do gênero construída no país.

Sul: imigrantes e revolução

No Sul do Brasil, muitas cidades preservam construções que remetem à origem europeia de sua população.

Nas cidades colonizadas por alemães, por exemplo, são típicas as casas no estilo enxaimel. Essa técnica utiliza madeira, tijolos e pedras e é famosa pelos caibros aparentes no exterior das construções. A cidade de Pomerode, em Santa Catarina, é uma das que preservam essas casas.

Em Caxias do Sul, no estado do Rio Grande do Sul, o centro histórico tem diversas construções que datam do início da imigração italiana.

No Paraná, muitos imigrantes chegaram pelo Porto de Paranaguá. Primeira cidade paranaense, Paranaguá foi fundada em 1648. Seu centro histórico tem casas e igrejas dos séculos XVI a XIX.

Antonina é outra cidade histórica do Paraná. Nessa cidade portuária fundada em 1714, um dos bens tombados é a Fonte da Carioca. Quando ainda não existiam redes de água, era essa fonte que abastecia a população da cidade. Ela foi utilizada desde 1867 até o final da década de 1930.

Laguna, em Santa Catarina, preserva o cenário da Revolução Farroupilha. A cidade tem mais de seiscentas casas tombadas pelo patrimônio histórico. Uma delas é a casa de Anita Garibaldi, companheira do revolucionário Giuseppe Garibaldi. Outra é a Casa de Câmara e Cadeia, onde Giuseppe Garibaldi proclamou a República Juliana, que pretendia separar o Sul do restante do país. Hoje, funciona ali o Museu Anita Garibaldi.

Na cidade também fica o Marco de Tordesilhas, monumento construído para marcar o ponto em que se dividiam as terras de espanhóis e de portugueses, de acordo com o Tratado de Tordesilhas de 1494.

Outra atração da cidade é o Farol de Santa Marta, construído por franceses em 1891. Ele tem 29 metros de altura e é um dos maiores do mundo.

Piratini, no Rio Grande do Sul, também foi palco da Revolução Faroupilha. A cidade era a capital da República Rio-Grandense, nome da república criada pelos revolucionários. O casario do centro histórico mostra a arquitetura da época. O Palácio do Governo, construído em 1826, foi a sede da República Rio-Grandense.

Próximo de São Miguel das Missões, também no Rio Grande do Sul, estão as ruínas das reduções (missões jesuíticas) que formavam os Sete Povos das Missões, no século XVII.

Centro histórico das capitais

Nas capitais brasileiras mais antigas, fundadas no século XVI, ainda há construções que remetem aos primeiros tempos da colonização portuguesa. É o caso dos centros históricos de Salvador, Natal, Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória (no Espírito Santo), João Pessoa (na Paraíba) e Recife (em Pernambuco).

Algumas dessas construções são réplicas das originais, como o Pátio do Colégio, em São Paulo, onde a cidade nasceu. O prédio atual foi erguido em 1954. Mas há também construções originais, como a capela de Santa Luzia, em Vitória, que data do século XVI.

Em Salvador e no Rio de Janeiro, que já foram capitais do Brasil, várias construções erguidas para a administração portuguesa são utilizadas hoje com finalidade cultural.

No centro histórico de Recife, as construções preservadas contam histórias que passam pelo domínio holandês e pela Guerra dos Mascates.

As capitais fundadas nos séculos XVII e XVIII marcam a consolidação e a ampliação da dominação portuguesa. São desse período Manaus (no Amazonas), Macapá (no Amapá), Belém (no Pará), São Luís (no Maranhão), Fortaleza (no Ceará), Cuiabá (em Mato Grosso), Curitiba (no Paraná), Florianópolis (em Santa Catarina) e Porto Alegre (no Rio Grande do Sul).

Em muitas delas, as construções históricas testemunharam a disputa pelo Brasil entre as potências europeias. Fortaleza, por exemplo, surgiu em torno do Forte Nossa Senhora de Assunção, erguido no século XVII pelos holandeses. Outro forte construído por holandeses é o Forte das Cinco Pontas, no Recife.

Em Florianópolis, as diversas fortalezas construídas pelos portugueses no século XVIII também podem ser visitadas.

As demais capitais brasileiras, fundadas entre os séculos XIX e XX, também têm várias edificações tombadas ou em processo de tombamento. Embora mais recentes, essas construções são consideradas referências importantes para a memória histórica do povo brasileiro.

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