A palavra “cossaco” vem do russo kazak, que quer dizer “aventureiro” ou “homem livre”. Ela se refere a um povo que vivia nas estepes da Europa oriental, ao norte do mar Negro e do mar Cáspio. Os cossacos têm parentesco com o atual povo cazaque, que hoje vive no Cazaquistão, situado ao sul da Rússia, na vizinha Ásia. Esse termo também designa os soldados que serviam no exército do czar (imperador) da Rússia, principalmente na cavalaria. Os cossacos se dividiam em dois principais grupos étnicos: os cossacos zaporojianos, que habitavam as estepes da Ucrânia; e os cossacos russos, das regiões fronteiriças do Principado de Moscóvia (sediado em Moscou).

Os primeiros cossacos eram tribos nômades que viviam em tendas; muitos deles eram fugitivos do serviço militar, dos impostos ou de contratos de servidão. No século XIII, ocuparam as margens dos rios Volga e Ural (no sul da Rússia) e dos rios Don e Dniepr (na atual Ucrânia). Como eram aventureiros, costumavam formar bandos que prestavam serviço militar pago ou serviam de guias a diversos povos ou nações, como os moscovitas, os lituanos e os poloneses.

Com o tempo, seus bandos passaram a receber muitos fugitivos da opressão política e econômica das nações vizinhas, e seu número cresceu, formando verdadeiras comunidades organizadas (chamadas voiskos) a partir do século XVI. Nessa época, os cossacos da atual Ucrânia passaram a ajudar na defesa do recém-formado Império Russo (em 1547, a partir do Principado de Moscóvia), estabelecendo-se nas fronteiras desse império, no Cáucaso e na Sibéria, para defendê-lo dos tártaros, dos mongóis e dos turcos otomanos. Outros cossacos prestaram serviços idênticos para a República das Duas Nações (Polônia e Lituânia), estado que os registrou oficialmente como cidadãos a partir de 1581.

Embora os cossacos continuassem prestando serviços militares, tiveram vários confrontos, tanto com os poloneses quanto com os russos, nos séculos XVII e XVIII. Esses levantes eram motivados por questões de controle de território e de reconhecimento dos direitos dos cossacos. As rebeliões acabaram levando à criação de um estado cossaco denominado Hetmanato (ou Atamanato), que existiu entre 1649 e 1775 nas margens do rio Dniepr; depois disso, passou a ser controlado pela Polônia e pela Rússia. O país cossaco chegou a contar com mais de 1 milhão de habitantes. Contudo, as contínuas revoltas, além da grande Revolta de Pugatchov, famoso líder cossaco que enfrentou a imperatriz Catarina II, da Rússia, levaram à morte desse líder e à dissolução do estado cossaco em 1775. Além disso, as duas nações passaram a oprimir os cossacos. A partir desse ano, os cossacos russos tiveram de integrar o exército imperial russo, organizados em comunidades, enquanto os cossacos ucranianos praticamente desapareceram.

Depois da Revolução Russa de 1917 e da criação da União Soviética, a maioria das comunidades cossacas, com mais de 4 milhões de pessoas, foram dissolvidas ou dispersadas à força. A partir de 1988, no entanto, na Rússia, a lei passou a permitir a reabilitação das antigas comunidades cossacas e a criação de novas. Hoje seus remanescentes ainda vivem na região do Cáucaso (no sul da Rússia), nas repúblicas autônomas russas da Tchetchênia, da Ossétia do Sul e da Abkházia. Uma lei aprovada em 2005 permitiu que as patentes dos antigos exércitos das comunidades cossacas passassem a ser reconhecidas legalmente, bem como as suas divisas e os seus galões (símbolos militares).

Considerados homens corajosos, desapegados, hábeis militares e excelentes cavaleiros, os cossacos deixaram um grande legado histórico e cultural na Ucrânia e na Rússia. Tem havido ultimamente certa revitalização do povo e dos costumes cossacos. Seu folclore (as danças masculinas, com malabarismos físicos, giros no ar e cambalhotas), suas músicas e seus trajes típicos são conhecidos no mundo todo.

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