O dilúvio é um mito universal que representa uma catástrofe de origem sobrenatural, da qual surge um mundo novo. Uma chuva imensa, que causa uma grande inundação, constitui o que se chama dilúvio. Em diversas culturas e crenças são contadas histórias sobre devastadoras inundações, que fazem desaparecer todos os seres da Terra, com exceção daqueles que ficarão para renovar o ciclo da vida. A catástrofe ocorre geralmente como um castigo divino e representa a purificação dos pecados da humanidade.

No Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, o dilúvio foi um castigo que Deus mandou aos homens porque estavam desobedecendo às suas leis. Somente um homem considerado justo, que se chamava Noé, sua família e um par de cada animal existente no mundo foram salvos das águas que alagaram toda a terra.

Seguindo a orientação divina, Noé construiu uma arca (um barco grande) de madeira de cipreste. Ali ele abrigou os animais que deveriam sobreviver ao dilúvio, o qual durou quarenta dias e quarenta noites. Uma pomba foi enviada por Noé em busca de algum vestígio de terra seca. A ave voltou com um ramo de oliveira no bico, sinal de que as águas estavam baixando e que a vegetação recomeçava a germinar. Quando a água baixou, Noé e seus três filhos, com suas mulheres, repovoaram o mundo, iniciando uma nova humanidade, segundo o relato da Bíblia.

Outros dilúvios

Existem histórias de dilúvio no Irã, na Grécia, na Índia e no Peru, entre outros países. Nessas narrativas, são personagens com os nomes de Utnapishtim, Deucalião, Yima e Manu que têm missões parecidas com a de Noé.

Na cultura mesopotâmica, a epopeia de Gilgamesh, que teria reinado na cidade de Uruk por volta de 2700 a.C. (antes do nascimento de Cristo), traz o relato de uma enchente avassaladora. Nessa história, o homem babilônico equivalente a Noé não foi um homem comum, mas um rei chamado Utnapishtim, que também escapou da enchente em uma embarcação.

Na antiga mitologia grega, Zeus, deus de todos os deuses, ficou certa vez irritado com a maldade dos mortais. Com a ajuda de Posêidon, deus dos mares, inundou toda a superfície da Terra depois de nove dias e nove noites de tempestades violentas e ondas agitadas. Prometeu, que era o ser mitológico que entregou o fogo à humanidade, aconselhou seu filho Deucalião a se esconder com sua mulher Pirra em um cofre de madeira no pico do monte Parnaso, o único que não foi coberto pela força das águas.

No Irã, depois de um rigoroso inverno, o degelo das neves provocou um dilúvio numa época em que os homens não conheciam a velhice nem a morte. O Noé iraniano é o rei Yima, o primeiro homem. Yima levou com ele, no barco, os melhores entre todos os homens, além de diferentes espécies de animais e de plantas.

Na Índia há diversas versões sobre o dilúvio. Em uma delas, um peixe avisa uma moça chamada Manu sobre a inundação e orienta a jovem a construir uma embarcação. O peixe é um animal que simboliza fertilidade e cura.

Entre os incas, povo dos Andes, Viracocha é o deus supremo das tempestades e do Sol. Ele criou o mundo, mas não andava muito satisfeito com sua obra. Ele, então, mandou nuvens de tempestades e devastou tudo sobre a terra, para criar um mundo melhor.

Mas nem em todas as culturas o dilúvio representa um castigo dos deuses pela desobediência dos homens. Na China, por exemplo, há histórias que tratam a enchente como uma catástrofe da natureza, bravamente vencida pelo homem.

Vários povos indígenas brasileiros também têm diferentes histórias de um dilúvio que destruiu a humanidade. O escritor José de Alencar relata uma delas em seu romance O guarani. Nela, o índio Tamandaré subiu com sua companheira numa palmeira; o casal alimentou-se dos frutos da árvore enquanto o dilúvio destruía tudo. Depois que as águas baixaram, eles desceram para repovoar a terra.

Inundações históricas

Arqueólogos e outros cientistas já encontraram vários vestígios (sinais) da ocorrência de enchentes avassaladoras em épocas remotas. E essas inundações representavam para os povos daquela época um verdadeiro fim do mundo.

Há registros de que a cidade mesopotâmica de Eshnuna, por exemplo, foi destruída por uma forte enchente durante o reinado de Hamurabi, por volta do século XVIII a.C.

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