Engenho de açúcar era o nome dado à grande propriedade agrícola que cultivava a cana-de-açúcar no Brasil. Até o início do século XX, os engenhos eram a base da indústria do açúcar e do álcool, além de ser responsáveis por boa parte da economia do país. Os proprietários dos engenhos eram chamados senhores de engenho.

Houve um período na história do Brasil em que o plantio da cana-de-açúcar foi a principal atividade econômica. A estrutura política e social do Brasil colonial estava atrelada à cultura canavieira. Esse período ficou conhecido como Ciclo do Açúcar.

Estrutura dos engenhos

As primeiras mudas de cana-de-açúcar chegaram ao Brasil em 1533, trazidas pelo colonizador português Martim Afonso de Sousa. Com o início da produção de cana-de-açúcar surgiram os primeiros engenhos, que eram os locais que processavam o caule da planta, para transformá-lo em açúcar.

Inicialmente, o engenho era a máquina com que se moía a cana. Era apenas a área produtiva da fazenda. Com o passar do tempo, o nome “engenho” passou a fazer referência a toda a propriedade — que ainda contava com as áreas de plantio, com a casa-grande, onde moravam o senhor de engenho e sua família, e com a senzala, onde ficavam os escravos. Alguns engenhos também tinham capelas, nas quais eram rezadas missas.

O duro trabalho nos engenhos — desde a limpeza do solo para a preparação do plantio da cana até a fabricação e transporte do açúcar para comercialização — era feito por escravos. Por isso, já desde a primeira metade do século XVI, chegavam ao Brasil grandes contingentes de mão-de-obra escrava desde a África. Os fazendeiros precisavam dos escravos africanos para substituir os trabalhadores indígenas, que foram quase dizimados porque não resistiam às doenças trazidas pelos europeus.

Produção

Uma vez colhida, a cana era levada à moenda, onde o suco de seu caule era extraído. Grande parte das moendas eram movidas por animais ou, às vezes, pelos escravos, e eram conhecidas como trapiches. Além do engenho de trapiche, também existia o engenho real, onde as moendas eram movidas por rodas-d’água. Esse era um processo mais custoso, uma vez que exigia a construção de um canal hidráulico.

Depois de extraído do caule, o caldo da cana era levado até a casa das caldeiras e fornalhas. Lá era cozido lentamente em grandes tachos de cobre. O melaço surgido desse processo era transportado posteriormente ao lugar chamado casa de purgar, onde era refinado.

Os engenhos produziam, em geral, dois tipos de açúcar: o mascavo, mais escuro e voltado para o mercado interno, e o branco, levado para os consumidores do Velho Mundo. O açúcar branco era embalado e levado para Portugal. De lá seguia para a Holanda, de onde era distribuído para o restante da Europa.

Importantes obras da literatura retratam esse período, como os romances Menino de engenho e Fogo morto, ambos do escritor José Lins do Rego. Gilberto Freyre foi um dos grandes estudiosos do Brasil que também tratou do tema, em obras-primas entre as quais se destaca o livro Casa-grande e senzala.

Nas primeiras décadas do século XX, com o surgimento das usinas de açúcar e de álcool, os engenhos tornaram-se obsoletos e foram sendo desativados pouco a pouco.

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