Fábula é um tipo de história que traz uma moral, ou seja, ensina uma lição. É geralmente uma narrativa curta, em que animais falam, pensam e agem como gente. E, por destacarem qualidades e defeitos humanos, os animais mostram quão bobas ou sábias as pessoas podem ser. As fábulas são muito usadas nas sessões de contação de histórias.

A famosa fábula “A cigarra e a formiga”, por exemplo, trata do eterno conflito entre o prazer e o dever. A formiga, que trabalhou durante todo o verão para acumular comida para o inverno, recusa-se a ajudar a cigarra, que passou a temporada cantando e dançando. A formiga julga que a cigarra errou.

Essas histórias estão entre as mais antigas contadas pela humanidade. Muitas delas surgiram na Índia e na Grécia há milhares de anos. A partir de então, histórias com raposas, lobos, corvos, gralhas e outros bichos foram se espalhando pelo mundo, sendo recontadas e adaptadas por diversos povos. Além disso, povos de várias regiões do mundo, como os índios brasileiros e os nativos da África, também criaram fábulas com os animais que vivem nas terras em que eles vivem.

Diversas fábulas estão na coletânea Calila e Dimna, originária possivelmente da Índia, entre os séculos VI e V a.C. (antes do nascimento de Cristo). Calila e Dimna são os nomes de dois chacais (um animal mamífero). As histórias com eles vão se entrelaçando, assim como nas aventuras de As mil e uma noites. Viajantes é que teriam levado essas histórias para fora do território indiano. Elas acabaram se popularizando na Europa.

Na Grécia antiga, por volta do século VI a.C., acredita-se que um homem chamado Esopo registrou diversas fábulas, como a “A lebre e a tartaruga”. Essas narrativas continuaram viajando de boca em boca, de povo em povo. Tempos depois, Fedro, um escravo liberto que viveu na Roma antiga, recontou as fábulas de Esopo.

Fábulas modernas

Outro fabulista bastante famoso foi o francês Jean de La Fontaine (1621-1695). Ele publicou o livro Fábulas, cheios de historietas com animais que falavam das intrigas e das injustiças que ocorriam na corte francesa e entre o povo do século XVII. Entre as fábulas que ele popularizou estão “A raposa e as uvas” e “O lobo e o cordeiro”.

Fábulas renovadas

Ainda hoje essas fábulas contadas por Esopo, Fedro e La Fontaine continuam sendo recontadas e adaptadas para novas gerações de leitores. No século XIX, por exemplo, o historiador e folclorista Joseph Jacobs (1854-1916) tornou popular a historia “Os três porquinhos”, que ensina que o trabalho levado a sério é importante.

No Brasil, o escritor paulista Monteiro Lobato, que era meio avesso às histórias com moral, escreveu certa vez a um amigo sobre sua intenção de “vestir a fábula à sua moda”. Ele registrou suas versões no livro Fábulas, que começou a ser escrito na década de 1920 e passou por muitas modificações até ser publicado em 1943. É Dona Benta quem conta as histórias para a turma do Sítio do Pica-Pau Amarelo, que discute, então, as lições ilustradas nas fábulas.

Em “A cigarra e a formiga”, por exemplo, Lobato lança um outro olhar para a lição sobre a importância do trabalho destacada na fábula contada por La Fontaine. O escritor exalta a arte da cigarra (que sabe cantar e dançar) e a generosidade da formiga, que ajuda a quem precisa — no caso, a cigarra faminta que não guardou nada enquanto cantava e dançava.

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