Guarani é o nome dado a povos indígenas de diferentes etnias da América do Sul. Elas falam a mesma língua, embora existam dialetos (variações), e compartilham os mesmos mitos. Guarani é, também, o nome do idioma falado por esses povos. No Paraguai, onde reivindica-se uma forte herança dessa cultura, o guarani é considerado o idioma oficial, ao lado do espanhol.

Durante muito tempo, os guaranis viveram em algumas regiões da Argentina, do Paraguai, do Uruguai e do Brasil, ocupando uma área de mais de 1,2 milhão de quilômetros quadrados. Essa área ia desde a costa Atlântica até o rio Uruguai, e do Trópico de Capricórnio até o rio da Prata.

Justamente por agrupar vários povos diferentes, os guaranis resistiram à ocupação colonial, espalhando seus descendentes por áreas diversas da América do Sul. Hoje, embora em número bastante reduzido, ainda ocupam praticamente as mesmas áreas onde historicamente viveram, distribuídos em reservas e aldeias.

Segundo dados do Instituto Sociambiental (ISA), em 2008 os guaranis somavam, no Brasil, cerca de 51 mil pessoas, entre os grupos caiovás (ou kaiowá), os nhandeva (ou ñandeva) e os embiá (ou mbya). Trata-se do maior grupo indígena que vive no país. No Paraguai, a população guarani estava formada por cerca de 61 mil pessoas, sendo os principais grupos os ava guarani, embiá e pai tavyterã (dados do III Censo Nacional de Población y Viviendas para Pueblos Indígenas de 2012). Na Argentina, a população guarani, formada principalmente pelos embiá, era de 5.500 pessoas (segundo dados de CTI/G. Grünberg, 2008).

História

Ao longo dos anos, os guaranis sofreram muitos ataques dos europeus colonizadores. Também, um grande número deles morreu por causa de doenças contraídas após o contato com o homem branco.

No território brasileiro, a partir do século XVI, os guaranis tentavam escapar dos bandeirantes que os escravizavam e dos padres jesuítas que queriam catequizá-los (convertê-los ao cristianismo).

No século XVII, os jesuítas estabeleceram reduções, também chamadas povos, doutrinas ou missões no leste do Paraguai entre os guarani do rio Paraná. Eventualmente, cerca de 30 cidades grandes e bem sucedidas formaram as missões. Em 1767, no entanto, a expulsão dos jesuítas foi seguida pela dispersão dos índios .

Muitos guaranis foram catequizados e abandonaram suas aldeias. Há também diversos relatos sobre índios catequizados que, arrependidos ou pressionados por guaranis fiéis à sua cultura, voltaram a viver com seus povos.

Características

Os guaranis falam a língua guarani (do tronco linguístico tupi e da família tupi-guarani).

No Brasil, eles estão divididos em três subgrupos. Os embiá e os nhandeva, que vivem principalmente no litoral e interior dos estados do Sul e Sudeste; e os caiovás, os mais numerosos, que se encontram no Mato Grosso do Sul.

Os guaranis inspiraram o escritor José de Alencar a escrever, em 1857, o romance O guarani, considerado sua obra-prima. Ele narra situações fictícias dos primeiros tempos da vida no Brasil colonial, envolvendo os índios e os portugueses. Foi inspirado nesse livro que o compositor Carlos Gomes, em 1870, criou sua ópera homônima (com o mesmo título). A ópera O guarani é famosa e executada no mundo todo. Grandes cantores interpretaram os papéis de Ceci e Peri, o par amoroso da história.

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