A imigração no Brasil tem três momentos: na prática, começou em 1530, com a chegada dos portugueses com o objetivo de colonizar — ou seja, ocupar — o território. Os africanos trazidos como escravos se incorporaram a essa ocupação. A partir de 1808, com a vinda da família real portuguesa, há um segundo momento quando vieram suíços e alemães. Mas, oficialmente, ela só pode ser considerada a partir da independência, em 1822. É que a legislação portuguesa proibia a entrada de estrangeiros no país. Entremeados a esses períodos, houve fluxos de entradas de espanhóis, judeus da península Ibérica, holandeses e franceses.

Formação da população brasileira

Imigrante é aquele que entra em um país que não é o seu com o objetivo de aí viver. Imigração é, portanto, esse movimento de entrada em um país de pessoas vindas de outro, para aí se fixar e construir sua vida.

Embora chegados desde o século XVI, foi no século XVIII que o movimento de entrada de portugueses foi maior. Vieram atraídos pela descoberta de ouro em Minas Gerais. E muitos açorianos (imigrantes vindos das ilhas portuguesas dos Açores) fundaram núcleos em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul e na Amazônia.

A população brasileira tem, assim, na base de sua formação, os índios, os portugueses e os negros africanos. Mas outras nacionalidades se incorporaram, com mais intensidade, a partir de 1822.

Os primeiros imigrantes a chegar oficialmente ao Brasil nessa condição foram os alemães. Depois deles, até os dias de hoje, vieram italianos, suíços, japoneses, espanhóis, sírio-libaneses, poloneses, judeus de diferentes procedências, latino-americanos (peruanos, paraguaios e bolivianos, principalmente), coreanos e muitas outras nacionalidades. Essa mistura de gente vinda de todos os cantos do mundo é uma das riquezas do Brasil. A cultura, a alimentação, a ética no trabalho, a organização, a educação, a religião, a produção agrícola, industrial e artesanal, o comércio — tudo no Brasil nasceu das contribuições e dos saberes das diferentes nacionalidades que constituíram a população brasileira.

E, para se adaptar à nova terra, os estrangeiros tiveram que aprender também com o povo da terra, os nativos, os índios. As noções de higiene — como o banho diário, por exemplo —, o consumo da mandioca na alimentação, o uso de fibras vegetais para elaborar cestos, o consumo de ervas medicinais, tudo isso foram os índios que ensinaram.

História

Com a Independência do Brasil, em 1822, as tropas portuguesas foram expulsas do país. O primeiro governante do Brasil independente, dom Pedro I, precisava formar um novo exército. Nem caboclos, nem sertanejos, nem escravos com a promessa de alforria (liberdade) se interessavam em se integrar às tropas. Assim, foram trazidos mercenários alemães e irlandeses que haviam lutado nas guerras napoleônicas e estavam sem emprego na Europa devastada. Como a Alemanha não autorizava a emigração de militares, foi montada toda uma operação para trazer os soldados no meio de suas famílias de lavradores. E o objetivo da empreitada ficou sendo, oficialmente, a colonização do sul do Brasil. Com isso, os primeiros alemães chegaram a partir de 1824.

Os lavradores alemães se instalaram no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Espírito Santo. Entre eles, os militares formaram boa parte do exército do Primeiro Reinado, de dom Pedro I (não por muito tempo, porque houve logo uma revolta pelos maus-tratos recebidos).

Depois dos alemães vieram os italianos, a grande maioria para trabalhar como empregados nas lavouras de café em São Paulo. Alguns foram para o Paraná em condições melhores, já recebendo terras para colonizar. Nos últimos treze anos do século XIX (de 1887 a 1900), só o estado de São Paulo recebeu quase 1 milhão de imigrantes — mais precisamente, 909.417. É quase a sexta parte da entrada total de imigrantes no país de 1872 até o ano 2000.

O dia 18 de julho de 1808 marca oficialmente o início da imigração de japoneses para o Brasil. Foi nessa data que o navio Kasato Maru chegou ao porto de Santos trazendo a primeira leva de japoneses (165 famílias, totalizando 781 pessoas) para trabalhar nas fazendas de café do oeste do estado de São Paulo. Mas poucos eram agricultores. O grupo tinha professores, advogados, gente acostumada a trabalho em escritório, e sua adaptação ao país foi muito difícil no início — não só devido às enormes diferenças culturais, de hábitos alimentares e de idioma. É que havia no Brasil grande preconceito à imigração de orientais, que tinha sido expressamente proibida no século XIX, quando havia uma política que favorecia a abertura do país principalmente à entrada de europeus.

Um segundo navio, com uma segunda leva de imigrantes japoneses (de 910 pessoas), só veio em 1910. Mas em 1914, quando o estado de São Paulo encerrou os contratos oficiais de imigração com o Japão, o número deles no país já chegava a 10 mil pessoas. Hoje o Brasil tem a maior população de japoneses fora do Japão, concentrada principalmente nos estados de São Paulo, do Pará e do Paraná.

Durante o século XX, grandes levas de libaneses e de europeus das mais diversas procedências imigraram para o Brasil, a fim de escapar aos horrores das grandes guerras mundiais e à perseguição em países autoritários. Mais recentemente, têm chegado ao Brasil imigrantes latino-americanos, coreanos, chineses e de outras nacionalidades, geralmente em busca de condições de vida melhores.

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