No século XVI, os franceses tentaram fundar duas colônias no Brasil. A primeira foi a França Antártica, no Rio de Janeiro, em 1555. A segunda foi a França Equinocial, no Maranhão, em 1594.

Os franceses se interessaram pelo Brasil desde o início da colonização portuguesa. Rondavam a costa, depois desembarcavam e faziam amizade com os indígenas. Chegaram a extrair e comercializar pau-brasil, com a ajuda dos indígenas. Esses navegadores franceses eram negociantes particulares, mas tinham o apoio do rei francês Francisco I.

O rei da França não aceitava o Tratado de Tordesilhas. Assinado em 1454, o tratado dividia entre Portugal e Espanha as terras que fossem descobertas. Para Francisco I, as novas terras deveriam pertencer a quem as ocupasse primeiro.

Toda essa disputa acontecia porque as potências europeias não levavam em consideração que as novas terras já eram habitadas. Portanto, já pertenciam a um ou a vários povos. No Brasil, por exemplo, calcula-se que no século XVI viviam cerca de 4 milhões de indígenas de diversas etnias.

A coroa portuguesa reagiu à presença de navios franceses no litoral do Brasil. Em 1516 e 1527, organizou as chamadas “expedições guarda-costas”, para percorrer a costa e expulsar os invasores.

A França no século XVI

Enquanto os portugueses estabeleciam sua colônia no Brasil, os franceses viviam um período de relativa prosperidade econômica.

Alguns grupos religiosos começaram a exigir mudanças nas práticas da Igreja Católica, como o acúmulo de riquezas pelos bispos, por exemplo. Por conta disso, ocorreram alguns conflitos civis de caráter religioso. Os principais representantes dessas ideias foram Martinho Lutero (1483-1546) e João Calvino (1509-1564). E, porque protestavam, ficaram conhecidos como protestantes. Dessa forma nasceu o protestantismo como religião.

A França Antártica

O almirante Gaspar de Coligny, que era calvinista (adepto de João Calvino), idealizou uma colônia na América em que os protestantes pudessem viver em paz, livres de perseguições. Além do mais, os franceses tinham interesse na exploração do pau-brasil, muito valorizado na Europa. Desse modo, juntava-se o interesse religioso à busca do lucro. O rei francês Henrique II apoiou o projeto. Afinal, essa era uma forma de expandir os domínios franceses à custa dos calvinistas.

Como sede da colônia foi escolhida a região da atual cidade do Rio de Janeiro. Em 1555, enviado por Coligny, Nicolau Durand de Villegaignon aportou com dois navios e cerca de seiscentos homens, entre católicos e protestantes. Fixaram-se numa ilha da baía da Guanabara, que denominaram França Antártica, hoje ilha de Villegaignon. Ali construíram o Forte de Coligny, para enfrentar a reação portuguesa.

Os franceses permaneceram no Rio de Janeiro por mais de dez anos. Nesse período, ocorreram muitos conflitos entre os próprios colonos franceses. Católicos e protestantes divergiam sobre a forma de administrar a colônia francesa.

Em 1560, o terceiro governador-geral do Brasil, Mem de Sá, organizou um exército para atacar os franceses e destruiu o Forte de Coligny. Os franceses, porém, continuaram a traficar pau-brasil no litoral. Na tentativa de expulsá-los definitivamente e garantir a posse portuguesa, a metrópole enviou reforços militares em 1563. A expedição era comandada por Estácio de Sá, sobrinho do governador-geral. Sua tarefa era construir um forte, que serviria de base para os ataques contra os franceses.

O Forte de São Sebastião do Rio de Janeiro foi concluído em 1565. Depois de dois anos de enfrentamentos, os franceses finalmente foram expulsos da baía da Guanabara, com a ajuda dos grupos indígenas aliados aos portugueses. Nos confrontos, Estácio de Sá foi ferido por uma flecha e morreu algum tempo depois. Os portugueses se fixaram na região e criaram ali um núcleo de povoamento que deu origem à cidade do Rio de Janeiro.

A Confederação dos Tamoios

Os indígenas tiveram grande participação nos confrontos entre os portugueses e os franceses da França Antártica. Os guaianases lutaram ao lado dos portugueses; os tupinambás e outros grupos se aliaram aos franceses.

Na verdade, os tupinambás não estavam defendendo a França Antártica. Eles lutavam contra os portugueses por motivos muito diferentes.

Quando os franceses invadiram o Rio de Janeiro, os tupinambás já haviam organizado uma confederação para atacar os portugueses. A Confederação dos Tamoios, como se tornou conhecida, reagia contra a escravização de seu povo por eles.

Os franceses se valeram desses conflitos e se aproximaram dos tupinambás, oferecendo armas a eles para que atacassem os portugueses.

Os portugueses, por sua vez, contavam com o apoio dos guaianases desde que o português João Ramalho se casara com a filha de Tibiriçá, cacique dos guaianases.

Os tupinambás, porém, acabaram por retirar seu apoio aos franceses. Os jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta fizeram negociações de paz entre esses indígenas e os portugueses, com a promessa de que eles não seriam mais escravizados.

A França Equinocial

Mesmo com o fim da França Antártica, os franceses não desistiram de instalar uma colônia no Brasil.

Ocuparam territórios brasileiros mais ao norte e a nordeste, aproximando-se dos indígenas para comerciar pau-brasil, pimenta e animais como macacos e papagaios.

Estiveram na região dos atuais estados da Paraíba, de Sergipe, do Rio Grande do Norte e do Ceará. Em todas essas investidas, foram expulsos pelos portugueses.

Em 1612, porém, os franceses conseguiram fundar uma colônia no litoral maranhense. Chegaram à região sob o comando do capitão Daniel de la Touche e construíram um forte, o Forte de São Luís, que daria origem à capital do Maranhão. Em torno dele estabeleceu-se o povoado francês. A nova colônia foi denominada França Equinocial.

Os confrontos com os portugueses se estenderam por três anos, até que finalmente os franceses foram expulsos em 1615. No ano seguinte ainda tentaram estabelecer-se no Pará, mas também foram expulsos de lá.

No século XVIII houve novos registros de incursões francesas: corsários da França atacaram o porto do Rio de Janeiro duas vezes, para saquear navios carregados de ouro extraído de Minas Gerais.

Os franceses acabaram conquistando uma região do norte da América do Sul, a atual Guiana Francesa, que faz fronteira com o Brasil. Depois de ter sido explorada por holandeses, espanhóis, ingleses e portugueses, a região foi reivindicada por Daniel de la Touche, o mesmo que fundara a França Equinocial no litoral maranhense.

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