O lago mais alto do mundo em que grandes navios conseguem navegar fica 3.810 metros acima do nível do mar. É o lago Titicaca, localizado nas montanhas dos Andes, na América do Sul, na fronteira entre o Peru e a Bolívia.

O Titicaca é o segundo maior lago da América do Sul (o primeiro é o Maracaibo, na Venezuela). Cobre cerca de 8.300 quilômetros quadrados e se estende na direção noroeste-sudeste por 190 quilômetros.

O Titicaca fica entre cordilheiras andinas numa vasta bacia que compõe a maior parte do Altiplano dos Andes centrais. Na margem nordeste (boliviana) do lago, a cordilheira Real, sempre coberta de neve, tem alguns dos picos mais altos dos Andes, chegando a alturas superiores a 6.400 metros.

A profundidade média do lago é de 140 a 180 metros. Mais de 25 rios deságuam no Titicaca. Um rio pequeno, o Desaguadero, drena o lago na extremidade sul. Essa única vazão esvazia apenas 5 por cento do excesso de água do lago; o resto se perde por evaporação sob o sol violento e os ventos fortes do planalto seco.

Já se pensou que o Titicaca estava secando lentamente, mas estudos modernos parecem refutar essa tese, indicando um ciclo mais ou menos regular de subida e descida.

Os peixes do lago são principalmente duas espécies de peixe-pérola — um peixe pequeno, normalmente listrado de preto — e uma de bagre. Em 1939 introduziu-se a truta no Titicaca. Uma grande (Telmatobius), que chega a ter mais de 30 cm, vive nas regiões mais rasas do lago.

Quarenta e uma ilhas, algumas com população densa, surgem em meio às águas do Titicaca. A maior delas, a ilha Titicaca (também chamada ilha do Sol), fica perto da península de Copacabana, na Bolívia.

Ruínas no litoral do lago e nas ilhas atestam a existência de uma das mais antigas civilizações conhecidas nas Américas. O principal sítio fica em Tiwanaku, na Bolívia, na extremidade sul do lago. Na ilha Titicaca, ruínas de um templo assinalam o local em que, de acordo com a tradição dos incas (povo do Peru que criou um império no século XII a.C.), o Sol mandou para a Terra os lendários fundadores do Império Inca, Manco Capac e Mama Ocllo.

O povo indígena que vive na bacia do Titicaca ainda pratica os métodos antigos de agricultura em terraços (patamares feitos num terreno em declive), anteriores aos tempos dos incas. Eles plantam a cevada, a quinoa (um cereal miúdo) e a batata, que é originária do planalto. Perto do Titicaca encontrou-se a plantação mais elevada do mundo: um campo de cevada cultivada 4.700 metros acima do nível do mar. Essa altura impede o grão de amadurecer, mas os talos fornecem forração para as lhamas e as alpacas, parentes americanos do camelo que servem aos índios como animais de carga e lhes fornecem carne e .

Os remanescentes de um povo antigo, os uros, ainda vivem no lago, em ilhas flutuantes feitas com totora empilhada — um tipo de papiro em forma de caniço que cresce em moitas densas nos locais baixos e pantanosos. Com a totora, o povo uro também faz seus famosos barcos modelados com feixes de junco seco amarrados cuja forma lembra o barco em meia-lua retratado nos monumentos egípcios antigos.

Linhas de barco fazem hoje travessias regulares de Puno, na costa peruana do lago, para o pequeno porto boliviano de Guaqui.

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