A região conhecida como a América Latina foi conquistada pela Espanha e Portugal depois que Cristóvão Colombo chegou ao Novo Mundo em 1492. Os nativos americanos que os europeus encontraram nessas novas terras tinham culturas avançadas com uma rica herança de poesia, teatro e textos míticos e históricos. O espanhol e o português se tornaram línguas comuns em lugares onde diversos idiomas nativos americanos já existiam antes. Essa mistura de línguas da região gerou uma rica literatura.

Hoje a literatura latino-americana é definida pelas literaturas nacionais dos países de língua espanhola do hemisfério ocidental e de língua portuguesa no Brasil. Ao longo dos anos, os escritores latino-americanos têm desenvolvido inúmeros temas, formas e estilos. Embora a literatura latino-americana tem uma longa e rica história, atingiu um nível importante durante a segunda metade do século XX.

Literatura da conquista

A descoberta e a conquista da América Latina pelos espanhóis e portugueses são contadas em cartas, crônicas, histórias, dicionários, peças religiosas e poemas épicos, que se tornaram importantes documentos históricos.

Em 1600, os espanhóis haviam estabelecido grandes e prósperas colônias em toda a América Latina. A crescente comunidade espanhola das colônias se dedicava a maior parte do tempo às atividades artísticas, incluindo a literatura. Devido a que os colonos mantinham laços estreitos com seu país de origem, suas obras muitas vezes refletiam a literatura da Espanha e do resto da Europa. A poesia era a forma mais popular de literatura durante este período. A freira mexicana Sor Juana Inés de la Cruz foi uma poetisa que se destacou acima de todos os outros no mundo colonial durante o século XVII. Seus belos poemas do estilo barroco ficaram famosos por seu lirismo e apelo emocional. Sua obra é considerada fundamental no estudo da literatura latino-americana.

Literatura de rebelião

A instabilidade política europeia no início do século XIX se espalhou em grande parte das colônias latino-americanas. Movimentos independentistas logo se disseminaram pela região, e para o 1830 quase toda a América Latina estava livre.

A literatura desta época reflete o espírito de rebelião e independência. A revolução encontrou uma expressão popular em várias baladas e versos heróicos. As obras de José Joaquín de Olmedo, do Equador, oferecem um belo exemplo de poesia heróica. Uma série de líderes rebeldes também eram escritores, incluindo o mexicano José Joaquín Fernández de Lizardi, cuja obra El periquillo sarniento (em português, O papagaio sarnento), de 1816, é considerada o primeiro romance latino-americano.

Movimentos do século XIX

Romantismo

Conforme os países da América Latina se tornaram independentes, novos movimentos surgiram na literatura da região. O primeiro foi o romantismo, um movimento de origem europeia que destacou a importância da natureza e da emoção. Os primeiros autores românticos mais famosos da América Latina surgiram na Argentina. Seu líder era Esteban Echeverría, cujo livro A cativa (1837) combina temas nativos e paisagens com novas formas de verso livre. Esses escritores também ressaltavam os temas nacionais e como resultado surgiu a literatura gaúcha, que celebrava a cultura e fatos dos gaúchos, ou vaqueiros, da Argentina e do Uruguai. Talvez a mais famosa peça da literatura gaúcha foi O gaúcho Martín Fierro (1872), do poeta argentino José Hernández.

Realismo

A partir de meados de 1870 as novelas latino-americanas começaram a tratar vários problemas sociais e econômicos. Assim como na Europa e nos Estados Unidos, o romantismo na América Latina deu lugar ao realismo e ao naturalismo. Estes movimentos salientavam a visão do mundo tal como ele era, não como deveria ser. Também tratavam temas considerados polêmicos como a loucura, o racismo e a violência. O escritor brasileiro Aluísio de Azevedo foi um dos escritores que abordou de maneira notável esses assuntos. Entre seus populares romances de protesto social encontram-se O mulato (1881) e O cortiço (1890). Joaquim Maria Machado de Assis, considerado por muitos críticos o maior autor da literatura brasileira de todos os tempos, mostrou seu humor irônico e sua profunda compreensão da humanidade em Memórias póstumas de Brás Cubas (1881) e Dom Casmurro (1899), entre outras obras.

Modernismo

Outro movimento literário que ganhou popularidade na América Latina durante o século XIX foi o modernismo. Os escritores modernistas criaram seus próprios mundos e experimentaram com formas poéticas antigas e novas. Eles normalmente expressavam sentimentos de tristeza e desespero. A figura mais representativa do movimento, e um dos maiores poetas em língua espanhola, foi Rubén Darío, da Nicarágua. Suas obras mais famosas incluem Azul (1888) e Prosas profanas (1896). O filósofo e ensaísta uruguaio José Enrique Rodó é considerado o principal crítico e escritor de prosa do movimento modernista. Seu ensaio Ariel (1900) teve grande influência na comunidade intelectual latino-americana.

Em 1902 Euclides da Cunha publica Os sertões, um livro que foi considerado um clássico da literatura brasileira. Parcialmente um tratado geográfico e social, a obra deu uma brilhante descrição do sertão atormentado pela seca e a miséria do seu povo empobrecido. Mas foi também um romance comovente e uma manifestação literária em nome das pessoas mais desfavorecidas do Brasil.

Os séculos XX e XXI

O mundo conturbado

O início do século XX trouxe mudanças significativas na literatura latino-americana. O horror da Revolução Mexicana (1911-1920) repercutiu em outros países da região e seus intelectuais, que estavam insatisfeitos com a realidade de seus compatriotas. Também, a Primeira e Segunda Guerra Mundial, a depressão econômica internacional da década de 1930, e a Guerra Civil Espanhola influenciaram as perspectivas dos escritores da América Latina. Alguns escritores modernistas voltaram-se para estilos mais tradicionais e, particularmente, para os temas relacionados com o mundo conturbado.

Enquanto isso, muitos poetas mais jovens continuaram a explorar estilos dentro do modernismo. Entre eles estava um grupo notável de mulheres que lidavam com questões tão diversas como o amor e o protesto social. Elas incluíam as uruguaias Delmira Agustini e Juana de Ibarbourou e a chilena Gabriela Mistral, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 1945.

Outro poeta chileno, Pablo Neruda, escreveu no estilo modernista em suas primeiras obras. Neruda celebrou a natureza e a história da América Latina em seu Canto geral (1950). Em 1971 lhe foi outorgado o Prêmio Nobel de Literatura.

O confronto entre culturas antigas e novas, entre a vida pastoral dos pampas e os centros urbanos industriais, foi recriado vividamente na literatura regional, que também foi muitas vezes uma literatura de protesto. O brasileiro Jorge Amado expressou sua simpatia pelos labradores pobres em Terras do sem-fim (1942), em que o autor descreveu o boom da produção de cacau e os conflitos entre os fazendeiros no seu estado natal, a Bahia.

Os novos movimentos

Na segunda metade do século XX, a América Latina testemunhou uma erupção de escrita fresca, criativa e deslumbrante. Este período marcou o início de uma nova era da literatura latino-americana. Caracterizou-se em grande parte por um foco no isolamento geopolítico da região e a busca das pessoas pela sua identidade. Muitos escritores focaram seus trabalhos nas suas raízes criando obras relevantes nas chamadas literatura indigenista, em que se destacam o peruano Ciro Alegría e o equatoriano Jorge Icaza, e literatura afro-cubana. Neste gênero, os escritores Nicolás Guillén, Emilio Ballagas e Luis Palés Matos criaram obras em que os temas da raza negra marcaram a literatura da região.

O autor argentino Jorge Luis Borges ganhou relevância na literatura latino-americana por escrever sobre temas metafísicos combinados com seu interesse no passado de sua cidade natal, Buenos Aires. Escritor de vanguarda, ele é conhecido mundialmente por seus contos magistrais que combinam mito, fantasia e simbolismo em estruturas únicas.

A partir da década de 1940, surgiu o realismo mágico, um fenômeno literário que se caracteriza pela inclusão de elementos fantásticos, ou míticos, na ficção.

O realismo mágico influenciou o trabalho de quase todos os escritores latino-americanos modernos. Um dos pioneiros do estilo foi o cubano Alejo Carpentier, mas considera-se que o grande mestre do realismo mágico foi o colombiano Gabriel García Márquez. Ele capturou a imaginação dos leitores ao redor do mundo com seu romance Cem anos de solidão (1967), que narra a história fascinante de uma cidade mítica latino-americana. Ele ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1982. A escritora chilena Isabel Allende usou o realismo mágico em homenagem a García Márquez em obras como A casa dos espíritos (1982). Outros escritores famosos do estilo incluem Miguel Ángel Asturias, da Guatemala, Julio Cortázar, da Argentina, e Jorge Amado, do Brasil.

Dois escritores mexicanos, Carlos Fuentes e Octavio Paz, estão entre os mais respeitados escritores latino-americanos do século XX. Fuentes escreveu sobre o efeito das culturas estrangeiras sobre a identidade mexicana. Seus romances incluem A morte de Artemio Cruz (1962) e O velho gringo (1985). Paz escreveu poesia, ensaios e crítica literária. Ele analisa o caráter, história e cultura do México em O labirinto da solidão (1950). Em 1990, ele tornou-se o primeiro escritor mexicano a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura.

Outro escritor de destaque na região é o escritor peruano Mario Vargas Llosa, cujo compromisso com as mudanças sociais é evidente nos seus romances, peças de teatro e ensaios. Escritor prolífico, Vargas Llosa recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 2010. Entre suas obras estão A cidade e os cachorros (1963), Tia Júlia e o escrevinhador (1977) e A festa do bode (2000).

Entrada a primeira década do século XXI, novas gerações de autores em todos gêneros têm enriquecido a literatura latino-americana com a originalidade e comprometimento herdados de seus predecessores.

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