Livros escritos especialmente para crianças são chamados de literatura infantil. A literatura para crianças inclui contos de fadas maravilhosos e populares, fábulas, poesias e outras histórias em prosa.

Há diversos tipos de livros para crianças. Para as bem pequenas, por exemplo, existem os livros de imagens, que são sem palavras, mas ainda assim contam uma história não verbal. Meninos e meninas que ainda não leem têm livros com muitas ilustrações e histórias curtinhas, contadas com poucas palavras.

Crianças já alfabetizadas (que já aprenderam a ler e escrever) e fluentes na leitura podem se aventurar por livros com histórias mais longas, divididas às vezes em capítulos.

História

A primeira literatura especialmente escrita para crianças foi publicada na Europa no século XVII. A maior parte do conteúdo desses textos não era escrita para entreter meninos e meninas. Eles tinham o objetivo de ensinar pequenas lições às crianças.

O século XVIII

Muitos dos livros lidos por crianças durante o século XVIII eram obras escritas para adultos. Eram histórias de aventuras com personagens interessantes. Por exemplo, Robinson Crusoe (1719), de Daniel Defoe, conta a história de um homem que naufraga em uma ilha deserta. Outro exemplo é As viagens de Gulliver (1726), de Jonathan Swift. A obra conta as peripécias de um viajante em terras imaginárias e estranhas.

O inglês John Newbery publicou em Londres, na Inglaterra, a primeira edição do conhecido livro de poemas Mamãe gansa, na década de 1760. A partir de então, muitas crianças aprenderam quadrinhas tradicionais com essa personagem, uma senhora do campo bastante famosa no cancioneiro popular da Europa.

O século XIX

No século XIX, os livros infantis começavam a se firmar no cenário literário. Autores começavam a criar histórias mais interessantes e imaginativas para crianças. Alguns livros infantis desse período mantêm-se populares ainda hoje. Muitas crianças ainda se divertem com as aventuras de Alice no país das maravilhas, escrito por Lewis Carroll e publicado na Inglaterra em 1865.

Mas muitos livros infantis do início do século XIX eram coleções de contos de fadas ou de contos folclóricos. Eles traziam histórias com criaturas e objetos mágicos, animais que falam e locais fantásticos, que fascinavam (a ainda fascinam) as crianças.

Dois irmãos alemães, Wilhelm e Jacob Grimm (conhecidos como os irmãos Grimm), publicaram em 1812 uma coleção de antigos contos de fadas alemães. Essa coletânea é hoje conhecida como Contos dos irmãos Grimm. A obra contém histórias sobre personagens como a Bela Adormecida e Cinderela, além de muitos outros contos famosos entre os leitores até hoje.

No final do século XIX, no Brasil, ficaram conhecidas as narrativas de Contos da carochinha (1896). Alberto Figueiredo Pimentel reuniu no livro 61 contos populares de diversos países. A obra trazia narrativas de Charles Perrault, dos irmãos Grimm, de Hans Christian Andersen e de outros autores.

Do século XX para cá

O século XX assistiu à enorme expansão no número de livros infantis publicados. Pessoas de muitos países continuaram a coletar e a publicar contos folclóricos para que as histórias pudessem ser compartilhadas com crianças de outras partes do mundo.

No Reino Unido e nos Estados Unidos, diversas histórias infantis na época focavam personagens de mundos fantásticos. O mágico de Oz (1900), de L. Frank Baum, O ursinho Puf (1926), de A. A. Milne, e A menina e o porquinho (1952), de E. B. White, são alguns exemplos. Na poesia, personagens engraçados e desenhos fantasiosos dos muitos livros do escritor americano Dr. Seuss também despontaram como sucesso entre as crianças. Ele publicou O gatola da cartola (como ficou conhecido numa tradução brasileira o livro The Cat in the Hat), em 1957.

Os populares livros de Harry Potter, da britânica J. K. Rowling, do final do século XX e do começo do XXI, deram continuidade ao tema da magia e tornaram-se best-sellers. No entanto, eles também sabem demonstrar as emoções da juventude de maneira muito realista.

Literatura infantil brasileira

No Brasil, o primeiro grande marco da literatura infantil brasileira foi A menina do narizinho arrebitado (1920), do escritor paulista Monteiro Lobato. O livro depois foi batizado de Reinações de Narizinho. Era o surgimento da boneca tagarela Emília, de Pedrinho, do Visconde de Sabugosa, de Dona Benta e de Tia Nastácia, entre muitos outros personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo.

Os anos 1970 e 1980 marcaram outro importante boom da literatura infantil. Surgia um jeito diferente de escrever livros para crianças. As narrativas eram mais questionadoras, os autores experimentavam novas linguagens, os ilustradores criavam desenhos que contavam histórias paralelas às do texto.

Foi nesse período que surgiram escritores como Ana Maria Machado, Fanny Abramovich, Lygia Bojunga, Joel Rufino dos Santos, Marina Colasanti, Sylvia Orthof, Ricardo Azevedo, Ruth Rocha, Tatiana Belinky e muitos outros. Na poesia, destacavam-se autores como José Paulo Pais, Roseana Murray e Elias José.

A partir dos anos 1990, o livro para crianças foi se tornando um produto cada vez mais bem acabado — com capas mais atraentes, diferentes tipos de papel, ilustrações mais sofisticadas e variadas com relação às técnicas utilizadas.

Prêmios

Em diversos países do mundo há prêmios para os livros que são considerados os melhores e os mais bem ilustrados.

O mais conhecido e importante prêmio internacional para a literatura infantil é o Prêmio Hans Christian Andersen, que é considerado equivalente em importância ao Nobel, no caso da literatura infantil. Ele é concedido pelo International Board on Books for Young People (IBBY), uma entidade filiada à UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Hans Christian Andersen foi um autor de histórias infantis nascido na Dinamarca. Por isso o prêmio é patrocinado pela rainha da Dinamarca, que entrega uma medalha de ouro ao vencedor, escolhido a cada dois anos. Duas escritoras brasileiras já ganharam esse prêmio: Lygia Bojunga e Ana Maria Machado. Outro famoso prêmio internacional é o Prêmio Astrid Lindgren Memorial.

No Brasil, um prêmio bastante importante e específico da área é o da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), que é uma seção brasileira do IBBY. O Prêmio FNLIJ, que existe desde 1974, já destacou a obra de autores como Ana Maria Machado, Ziraldo, Bartolomeu Campos de Queirós e Eva Furnari, entre muitos outros.

O Prêmio Jabuti, mais voltado para a literatura escrita para adultos, tem uma categoria especial para os livros infantis e os juvenis.

Nos Estados Unidos, os dois mais importantes prêmios para a literatura infantil são a Newbery Medal e a Caldecott Medal. A Newbery Medal vai para o autor do melhor livro infantil do ano. Existe também o prêmio para o melhor ilustrador do ano, que recebe a Caldecott Medal.

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