A literatura é a forma de arte que utiliza a escrita (texto) para se expressar. O veículo da literatura é o livro. Mas nem todo livro é obra literária. A maior parte dos livros tem caráter utilitário ou seja, servem para informar sobre determinado assunto. Essa não é a função da literatura. Com o uso criativo das palavras e da imaginação, o escritor procura despertar emoções, sentimentos e reflexões no leitor. O conto, o romance, a poesia e as peças de teatro são os tipos mais comuns de texto literário.

Formas de literatura

A literatura pode ser dividida em duas grandes categorias: poesia e prosa. A poesia é escrita em versos, que são compostos de acordo com padrões de som, ritmo e significado. Um poema pode ou não utilizar rimas (palavras com sonoridade parecida, como “retumbante” e “instante”).

A prosa se aproxima da linguagem coloquial (jeito comum de falar). Contos, romances e peças de teatro modernas são exemplos de prosa.

Existem dois tipos principais de prosa: ficção e não ficção. As obras de ficção (contos, novelas e romances) são produto da imaginação do autor. As de não ficção abordam fatos e pessoas da vida real. Os dois tipos de prosa podem ter alta qualidade literária. Biografias e ensaios são exemplos de obras literárias de não ficção.

O escritor costuma ter em vista o público a que se dirige. Certas obras são escritas para crianças e adolescentes. Outras são mais adequadas para adultos.

A evolução da literatura

A tradição oral

Ao ser inventada, há cerca de 5 mil anos, a escrita era usada apenas para registros oficiais. As narrativas (lendas, contos, tradições) passavam de geração em geração pelos relatos dos contadores de histórias. Essa prática é chamada de literatura oral.

As narrativas orais eram, em geral, feitas em versos. O ritmo e as rimas ajudavam a memorizar a história. Mesmo assim, as pessoas podiam modificar ou até esquecer os relatos que tinham ouvido. Para evitar isso, as histórias começaram a ser escritas.

A literatura escrita

Em várias partes do mundo, povos que dominavam a escrita desenvolveram um rico patrimônio literário.

Muitas antigas obras literárias eram epopeias (poemas épicos) ou seja, eram longas narrativas sobre a vida e as aventuras de heróis. Por exemplo, a Epopeia de Gilgamesh foi escrita há cerca de 3.500 anos na Mesopotâmia (no Oriente Médio). O Mahabharata, da Índia, a Ilíada e a Odisseia, da Grécia, são também poemas épicos que chegaram até nossos dias. Autores gregos antigos deixaram ainda muitas obras de teatro e de não ficção.

Contadores de histórias do Oriente Médio e de outras partes da Ásia transmitiram durante muitas gerações os contos das Mil e uma noites. Nos séculos IX e X da nossa era, essas histórias foram compiladas em livros manuscritos.

No século XI, o escritor japonês Murasaki Shikibu escreveu A história de Genji. Muitos consideram essa narrativa, que conta a história de um príncipe japonês, o mais antigo romance do mundo.

Um dos primeiros trabalhos da literatura inglesa é o épico Beowulf, sobre um herói que enfrenta e mata um ser monstruoso. A obra data provavelmente do século VIII. O poeta inglês Geoffrey Chaucer escreveu os Contos de Canterbury no século XIX; esse longo poema conta a historia de um grupo de viajantes. O escritor inglês William Shakespeare, que escreveu para o teatro no final do século XVI e no início do XVII, é um dos maiores gênios da literatura universal, pela capacidade de representar diferenças significativas entre seus personagens, no que diz respeito ao caráter e à psicologia íntima de cada um.

O ano de 1572 assistiu ao lançamento de um dos maiores poemas épicos da literatura mundial: Os lusíadas, do português Luís Vaz de Camões. Nessa epopeia, obra-prima da língua portuguesa, ele sintetizou a saga dos grandes navegantes de seu país, que foram os primeiros a viajar pelo mundo inteiro, no que hoje é visto como o primeiro passo significativo da globalização, ou da integração e da comunicação entre todas as partes do mundo.

Don Quixote de La Mancha (1605-1615), do espanhol Miguel de Cervantes, é considerado o primeiro romance moderno. Durante os séculos seguintes, o romance se tornou um dos gêneros mais populares da literatura. No século XIX, o francês Honoré de Balzac, os russos Liev Tolstói e Fiódor Dostoiévski e o brasileiro Machado de Assis, entre outros, aprofundaram a técnica do romance, com sua observação aguda da psicologia humana e das motivações interiores das pessoas (expressas nos personagens de suas obras).

No século XX, a forma tradicional de escrever romances começou a mudar. O irlandês James Joyce usou uma técnica chamada fluxo de consciência. Com essa técnica, o autor tenta representar os pensamentos do personagem à medida que eles acontecem.

Em meados do século XX, escritores da Colômbia, da Argentina e de outros países da América Latina passaram a misturar realidade e fantasia em seus romances. Essa corrente recebeu o nome de realismo mágico. Seu expoente foi o escritor colombiano Gabriel García Márquez, com o romance Cem anos de solidão.

A poesia também passou por transformações nos séculos XIX e XX. Tradicionalmente, os poemas seguiam regras rígidas de forma, no ritmo, na rima e na métrica, mas os poetas começaram a escrever num estilo conhecido como “verso livre”, sem muitas regras fixas como antes. Isso permitiu que a poesia ficasse mais próxima da linguagem falada.

A difusão da literatura

Antes da invenção da imprensa, as obras literárias tinham de ser copiadas à mão. Apenas pessoas ricas e com alto nível de educação tinham acesso aos livros manuscritos. Por volta de 1450, o alemão Johannes Gutenberg aperfeiçoou um processo que permitia imprimir livros de forma mais rápida e econômica. Com livros mais baratos, aumentou o número de leitores. A expansão da rede de bibliotecas e de livrarias também facilitou o acesso do público aos livros.

Hoje a literatura pode ser apreciada também no teatro, no cinema, na televisão, na tela do computador e dos tablets. Os modernos meios de difusão colocam as obras literárias ao alcance de milhões de pessoas, simultaneamente, em todo o mundo.

A literatura no Brasil

No Brasil colonial, uma das figuras mais representativas da poesia foi Gregório de Matos quem retratou com versos satíricos e religiosos a vida baiana do século XVII. Gregório de Matos é considerado o fundador da literatura brasileira. O descobrimento do ouro em Minas Gerais no século XVIII impulsionou um movimento literário chamado arcadismo, inspirado nas idéias ilumininistas e enciclopedistas francesas. As Obras poéticas do escritor árcade Cláudio Manuel da Costa, e Glaura de Silva Alvarenga são, entre outras obras, representativas desse período. A finais do século XVIII, o movimento romântico brasileiro ganhou força com obras poéticas e de ficção que abordaram diversos temas como a poesia saudosista de Casimiro de Abreu, e a poesia indianista de Gonçalves Magalhães, Gonçalves Dias e José de Alencar — eles simpatizavam com a contribuição da cultura indígena à formação da nacionalidade brasileira. Outros poetas do periodo foram Álvares de Azevedo e Castro Alves. Outros escritores destacados deste período são Teixeira e Souza, Joaquim Manuel de Macedo, Bernardo Guimarães, Afonso de Taunay e Franklin Távora.

A partir de 1870 o romantismo começa a perder força. Com a obra Memórias póstumas de Brás Cubas (1881) Machado de Assis inaugura o período conhecido como realismo, em que a literatura perde o tom idealista, rebelando-se contra as convenções dos acadêmicos e dos românticos. Outros autores importantes deste período são Aluísio de Azevedo e Adolfo Caminha. Em 20 de julho de 1897, Machado de Assis lidera a fundação da Academia Brasileira de Letras (ABL) no Rio de Janeiro, com a finalidade de preservar a língua e a literatura do Brasil.

No fin do século XIX e início do século XX, num período pré-modernista, a literatura brasileira é influenciada pelos acontecimentos históricos e políticos pelos quais atravessavam diferentes regiões do país: a Guerra de Canudos na Bahia, o fanatismo religioso e conflitos políticos no Nordeste, as revoltas operárias em São Paulo, a Guerra do Contestado em Santa Catarina e outros. Algumas obras relevantes do período são Os sertões de Euclides da Cunha, Triste fim de Policarpo Quaresma de Afonso Henriques de Lima Barreto, e a obra Urupês de José Bento Monteiro Lobato.

De 11 a 18 de fevereiro de1922, um grupo de artistas se reuniram no Teatro Municipal de São Paulo para discutir sobre novas formas estéticas. O encontro, chamado de “Semana de Arte Moderna” marcou a arte e a literatura brasileiras. Na literatura, destacaram-se os escritores Mário de Andrade e Oswald de Andrade. O novo movimento promovia a renovação da linguagem e a valorização das características nacionais. A segunda fase do modernismo foi marcada pela novela regionalista do Nordeste. Nesta fase destacam-se: Gilberto de Mello Freyre (Casa-grande e senzala); José Lins do Rego (Menino de engenho); Rachel de Queiroz (O quinze); Jorge Amado (Cacáu); e Graciliano Ramos (Vidas secas). Desde então a literatura brasileira continuou a prosperar gerando importantes obras de novos poetas, novelistas, dramaturgos e ensaístas que marcaram a arte literária pela sua originalidade e estilos.

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