O maracatu é uma manifestação da cultura popular do Brasil que envolve dança e música. Em geral, o maracatu é ritmado por tambores, chocalhos e agogôs e os seus integrantes saem em procissão, cantando e dançando coreografias típicas. Respondem em coro ao solista, mas não há um enredo.

Tradicionalmente, o maracatu pertence à cultura de Pernambuco, na região Nordeste, mas hoje em dia há grupos de maracatu espalhados por várias partes do Brasil, que saem em comemoração pelas ruas durante o Carnaval.

Cortejo

A festividade tem muitas semelhanças com as procissões realizadas no tempo da escravidão para acompanhar os reis do Congo, eleitos pelos escravos, para a coroação na igreja.

Ao som retumbante dos tambores, o cortejo é composto de princesa e príncipe, luxuosamente vestidos. O príncipe é identificado pelo uso de um grande chapéu-de-sol de cores vibrantes e enfeitado com franjas.

As honrarias são abertas por mulheres trazendo bonecas de pano (calungas). Pode acontecer também que apareça na procissão apenas uma boneca de pano conduzida por uma mulher encarregada de pedir dinheiro à plateia. As variações acontecem dependendo da região. Há ainda maracatus que trazem animais de palha ou de madeira.

Os demais integrantes do bloco (representações de embaixadores, baianas e índios), também se vestem de maneira luxuosa, com turbantes, mantos, rendas, lantejoulas e cocares cheios de plumas. Todos esses elementos demonstram que a festa sofreu influências mistas das culturas africana, indígena e europeia.

Entra quem quiser

De acordo com um dos principais pesquisadores do folclore brasileiro, Luís da Câmara Cascudo, por conservar vestígios das procissões em homenagem aos reis do Congo, o maracatu, embora tenha se tornado uma manifestação carnavalesca, difere de todas as outras manifestações típicas do Carnaval brasileiro: seus blocos têm características exclusivas.

Mas, como é bloco de Carnaval (ou seja, qualquer um pode entrar), nem sempre suas características são respeitadas. Já desfilou maracatu até com gente fantasiada de super-homem.

Maracatu moderno

Na última década do século XX, surgiu em Recife um movimento cultural forte, que trouxe ares novos ao maracatu: o manguebit (ou mangue beat). Os cantores Chico Science (morto em 1998) e Fred Zero Quatro buscaram na rica biodiversidade do mangue a inspiração para misturar maracatu com rock, hip-hop e elementos de música eletrônica. Os grupos Nação Zumbi, de Science, e Mundo Livre S/A, de Zero Quatro, são os principais representantes do manguebit. Embora a formação dessas bandas não dê tanta ênfase ao maracatu, no início elas reuniam igualmente percussionistas de maracatu e músicos de rock.

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