Migração é uma longa viagem para morar em um novo lugar. Animais migrantes costumam se deslocar entre suas moradas de verão e inverno. Quando as pessoas migram, porém, geralmente se trata de uma mudança permanente. Grande parte da história da humanidade envolve migrações.

Tipos de migração

Algumas pessoas não têm casa permanente e vivem mudando de um lugar para outro. Esse é o modo de vida nômade. Certos nômades possuem rebanhos, portanto precisam dividir seu tempo entre pastagens de verão e de inverno. Outros, como os ciganos, mudam frequentemente em busca de novas oportunidades. Trabalhadores rurais que vão de uma fazenda a outra atrás de trabalho também são migrantes.

A mudança dentro de um país é chamada migração interna. A mudança de um país para outro é chamada migração externa. A pessoa que deixa seu país é emigrante daquele país, sendo chamada de imigrante na nova nação em que vive.

A perspectiva de bons empregos ou de terras para cultivo atrai alguns migrantes para uma nova nação. Outros querem escapar de maus-tratos, guerras ou desastres naturais em seu país natal. Às vezes, o governo força a saída de algumas pessoas. Migrantes obrigados a sair de seu país, seja pelo governo ou por razões socioeconômicas, são chamados de refugiados.

Pessoas cativas não têm liberdade para decidir se querem ou não deixar o país, tampouco para onde desejam ir. O comércio de escravos africanos durou do século XVI ao XIX, levando cerca de 20 milhões de pessoas à força para a América do Norte, a América do Sul e as Antilhas. Outros migrantes cativos eram criminosos que, como punição, eram levados de navio para alguma colônia. Países europeus enviaram mais de 150 mil condenados para a Austrália entre 1788 e 1867.

História

Migrações pré-históricas e antigas

Segundo muitos cientistas, os primeiros seres humanos viveram na África, de onde foram saindo gradualmente. Primeiro, eles foram para a Europa e a Ásia. Da Ásia, seguiram para a América do Norte, entre 60 mil e 20 mil anos atrás. Eles podem ter ido da Rússia até o Alasca por uma faixa de terra que hoje se encontra submersa. Ao longo de milênios, as pessoas foram se espalhando pelas Américas do Norte, Central e do Sul.

Outros migrantes pré-históricos partiram da Ásia em barcos e chegaram à Austrália há cerca de 40 mil anos. Gradualmente, eles alcançaram todas as ilhas maiores do oceano Pacífico. A Nova Zelândia foi povoada por último, há cerca de 1.200 anos. A gelada Antártica é o único continente jamais procurado por migrantes.

A história registra migrações posteriores. Em uma das primeiras migrações históricas, os antigos israelitas escaparam da escravidão no Egito e foram em busca de liberdade na Palestina, no século XIII a.C. Mais tarde, nos séculos IV e V d.C., algumas tribos europeias invadiram grande parte do poderoso Império Romano. Chamados de bárbaros pelos romanos, os invasores eram povos hunos, godos e vândalos. Em 476, esses migrantes derrubaram o império.

Migrações na Idade Média

Guerras e conquistas levaram as pessoas a migrar durante a Idade Média, entre o século VI d.C. e cerca de 1500. Alguns povos se envolveram em guerras para tomar novas terras. Outros foram expulsos de seus territórios pelos invasores. No século VII, exércitos unidos pela fé muçulmana deixaram a península Arábica para disseminar sua religião. Eles conquistaram o norte da África, o oeste da Ásia e a Espanha. No século VIII, a tribo europeia dos francos forçou a tribo dos saxões a ir para o norte da Europa. Entre os séculos IX e XI, os vikings do norte da Europa atacaram o oeste europeu e lá se fixaram. Os vikings radicados na França se tornaram conhecidos como normandos e conquistaram a Inglaterra em 1066. A partir de cerca de 1200, o povo mongol, do centro da Ásia, conquistou grande parte da Ásia e do leste europeu.

Migrações para a América

O explorador europeu Cristóvão Colombo chegou à América em 1492. Após sua viagem, ocorreram migrações de pessoas da Espanha, de Portugal, da França, da Inglaterra e da Holanda. Até 1800, porém, era pequeno o número de imigrantes da Europa. O maior grupo imigrante era o de africanos escravizados, trazidos aos milhões por europeus para vários países da América, dentre eles o Brasil.

Após 1800, a superpopulação, as guerras e desastres naturais na Europa aumentaram a migração para a América. Milhões de europeus foram para o Canadá e a América do Sul, mas a maioria dos migrantes seguiu para os Estados Unidos.

A partir da década de 1830, alemães, noruegueses e suecos se instalaram nos Estados Unidos. Na década de 1840, a safra arruinada de batata na Irlanda, com a fome subsequente, fez muitos cidadãos do país irem também para os Estados Unidos. Italianos, gregos e europeus do leste foram depois para lá. Ao todo, entre 1880 e 1910, cerca de 17 milhões de europeus migraram para os Estados Unidos. No início do século XX, a migração para esse país era tão grande que o governo americano passou a estabelecer cotas para limitar o número de imigrantes de certos países.

A migração no Brasil

O Brasil constituiu outro grande foco de atração de imigrantes. A fundação de Salvador, na Bahia, atraiu muitos portugueses já no século XVI. A descoberta de ouro e pedras preciosas em Minas Gerais contribuiu bastante para trazer levas de europeus, nos séculos seguintes. Com a escravidão, milhões de africanos sofreram o processo de migração forçada para o Brasil até o século XIX. Depois da independência e, em especial, a partir do fim do século XIX, acompanhando as etapas de desenvolvimento econômico do país, vieram para o Brasil grandes levas de estrangeiros, principalmente portugueses, italianos, espanhóis, japoneses e alemães, entre muitas outras nacionalidades. Esse foi um período essencial para a história da imigração no Brasil, contribuindo muito para o crescimento da população.

Migrações modernas

Nas últimas décadas do século XX, muitos brasileiros passaram a buscar oportunidades em outros países. Descendentes de imigrantes japoneses sentiram-se atraídos pelo dinamismo da economia japonesa e pelas oportunidades de emprego oferecidas e emigraram para o Japão, invertendo a rota trilhada por seus pais e avós.

Países europeus, como Portugal, Itália, Espanha e Inglaterra, também atraíram milhares de brasileiros desejosos de novas oportunidades de trabalho e melhores condições de vida.

No mesmo período, os Estados Unidos atraíram muitas levas de latino-americanos, entre eles milhares de brasileiros, que queriam lá se estabelecer. Alguns atravessaram as fronteiras americanas sem permissão do governo, assim se tornando imigrantes ilegais.

No início do século XXI, a Europa tinha mais imigrantes do que a América do Norte. Muitos vieram de países africanos ou do Oriente Médio, causando uma grande mudança cultural no continente europeu.

O Canadá criou uma política especial para atrair imigrantes, e muitos brasileiros foram para lá na primeira década do século XXI.

Com a crise econômica mundial que atingiu os países mais desenvolvidos, muitos dos que haviam migrado para o Japão e para os Estados Unidos viram-se forçados a voltar.

O tipo de migração mais comum, no entanto, é a interna, principalmente de regiões agrícolas para áreas urbanas. Com isso, cidades no mundo inteiro, sobretudo em países em desenvolvimento, crescem a uma velocidade assombrosa e enfrentam graves problemas sociais.

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