Uma peça teatral é um tipo de história encenada diante de uma plateia, em geral em um teatro ou casa de espetáculos. Outros gêneros de literatura, como os romances ou os contos, são feitos para serem lidos pelas pessoas. Já as peças teatrais, encenadas, são compartilhadas por muita gente ao mesmo tempo.

Elementos de um texto teatral

As peças de teatro são escritas por dramaturgos. Entre os principais elementos de uma peça de teatro, ou drama, estão os personagens e a trama. Os personagens — ou seja, as pessoas que participam da história — com frequência entram em conflito em torno de alguma coisa. Por exemplo, podem desejar o mesmo trono, a mesma princesa ou o mesmo tesouro. A trama é o que acontece durante a peça e como o conflito se resolve.

Em uma peça de teatro, as personagens usam palavras e movimentos para narrar uma história. Com frequência, elas conversam entre si. As frases de suas conversas formam o diálogo. Às vezes, porém, uma personagem faz um discurso quando está sozinha sobre o palco ou quando as outras personagens estão em silêncio, criando a ilusão de que a plateia pode ouvir seus pensamentos. Esse tipo de discurso é chamado monólogo. De vez em quando, um personagem conversa diretamente com o público, fazendo o que é conhecido como um aparte.

Um dramaturgo pode escrever diálogos que soam naturais, ou seja, como as pessoas de um lugar e tempo específicos falam de fato. Ou, então, o diálogo pode ser muito formal. Às vezes, por exemplo, algumas das falas dos personagens são escritas em verso. Em alguns dramas, os personagens cantam ou recitam suas palavras.

O dramaturgo também inclui no texto da peça algumas instruções curtas, chamadas orientações de palco. Algumas dessas orientações transmitem aos atores o que eles devem fazer — por exemplo, onde e quando entrar no palco ou sair dele. Outras podem descrever como deve ser a aparência de um personagem ou o tempo e o lugar da ação. Os produtores da peça usam essas descrições para criar os figurinos, os cenários e a iluminação.

Tradições dramáticas

Tradições dramáticas diferentes se desenvolveram na Ásia e no Ocidente. Nas representações teatrais de muitas culturas asiáticas, a dança, os gestos e a música com frequência são tão importantes quanto as palavras. Os dramas asiáticos muitas vezes partem de histórias muito conhecidas e tendem a obedecer a um estilo formal. Os atores podem seguir um conjunto de normas que regem as expressões faciais e os movimentos corporais que eles usam para narrar a história.

Já os espetáculos ocidentais tendem a contar uma história nova com o uso de diálogos. Tradicionalmente, as peças de teatro ocidentais se dividem em dois tipos principais: tragédias e comédias. As tragédias são histórias sérias sobre indivíduos heroicos e têm final triste. As comédias são menos sérias e têm final feliz. As comédias modernas geralmente são engraçadas. Hoje muitos dramas ocidentais misturam elementos de tragédia e de comédia.

História

As primeiras formas dramáticas

Os estudiosos acreditam que os povos mais antigos já escreviam textos teatrais. É provável que eles tenham começado como parte de cerimônias e festas religiosas. Estas aconteciam em muitas culturas, como as do Egito, da Índia e da China da Antiguidade.

No Ocidente, o texto teatral nasceu na Grécia antiga. Os dramas gregos eram escritos em forma de poesia. Alguns poucos atores representavam todos os personagens da peça. Os dramaturgos gregos também escreviam papéis para um grupo chamado coro, que ficava de um lado do palco descrevendo e explicando a ação. A grande era do teatro grego foi o século V a.C. As tragédias falavam de pessoas e acontecimentos importantes das lendas ou da história. As comédias desse tempo frequentemente zombavam das figuras políticas da época.

Durante a Idade Média (cerca de 500-1500 d.C.), na Europa, a maioria das representações era baseada na religião cristã. Algumas peças da época narravam histórias da Bíblia. Outras dramatizavam as vidas de santos católicos ou apresentavam lições morais.

No Japão, no século XIV, surgiu um novo tipo de drama, chamado nô, que significa talento ou habilidade. Todos os papéis, inclusive os femininos, eram representados por homens ou meninos. Um drama nô apresenta lendas japonesas clássicas, usando movimentos, música e palavras. Os atores não representam, eles contam uma história. Cerca de 230 das histórias clássicas do teatro nô ainda são apresentadas hoje. Um homem chamado Zeami escreveu noventa dessas peças e é considerado o maior dramaturgo do teatro nô.

Os séculos XVI e XVII foram um grande período do teatro na Inglaterra e na Espanha. Os dramaturgos da época escreveram nos mais diversos estilos. Entre os principais dramaturgos dessa época estava o inglês William Shakespeare, que escreveu peças complexas, repletas de ação e de personagens realistas, ainda hoje representadas. O dramaturgo e poeta espanhol Lope de Vega foi uma das figuras mais representativas do chamado Siglo de Oro espanhol. Acredita-se que Lope de Vega escreveu ao redor de 1.800 peças de teatro.

No século XVII, Jean Racine e outros dramaturgos franceses escreveram peças ambientadas na Grécia antiga. Suas peças se destacavam por seus temas grandiosos e sua linguagem poética. O dramaturgo francês Molière escreveu um tipo diferente de peça. Suas comédias zombavam dos modismos e das fraquezas da sociedade francesa da época.

No século XVIII, no Japão, um tipo de teatro de marionetes chamado bunraku chegou ao seu auge artístico. O dramaturgo Chikamatsu Monzaemon escreveu peças do teatro bunraku que eram admiradas como literatura e como entretenimento. Além de romances históricos, ele escreveu tragédias sobre pessoas comuns de sua época.

O drama moderno

Muitos dos textos de dramas ocidentais do século XIX e do início do XX tratam de pessoas comuns, e não de reis, guerreiros ou heróis míticos. Essas peças se aprofundam sobre os conflitos internos dos personagens. Muitas delas também tratam de problemas sociais, como a corrupção e a cobiça na sociedade. Os dramaturgos Henrik Ibsen, da Noruega, e Anton Tchekhov, da Rússia, escreveram peças nesse estilo realista. Na Inglaterra, George Bernard Shaw empregou o humor para tratar dos problemas da sociedade. Eugene O’Neill, dos Estados Unidos, usou alguns dos temas das tragédias da Antiguidade, mas os ambientou em tempos mais modernos, entre personagens do dia a dia.

Quando a Segunda Guerra Mundial terminou em 1945, muitas pessoas se sentiam desesperançadas em relação ao mundo. Alguns dramaturgos europeus escreveram tramas e diálogos que faziam pouco sentido. O objetivo era mostrar que a vida é absurda. Suas peças ficaram conhecidas como Teatro do Absurdo.

Outros dramaturgos continuaram a tratar de temas familiares. Nos Estados Unidos, Arthur Miller escreveu dramas focando a vida interior e os conflitos familiares de personagens fortes. Temas semelhantes apareceram nas peças de Tennessee Williams, que ambientou muitas delas no sul dos Estados Unidos.

Dramaturgos de muitas origens distintas começaram a produzir dramas notáveis no final do século XX e no início do século XXI. A partir da década de 1960, vários dramaturgos afro-americanos ganharam destaque, como August Wilson. Problemas sociais e os conflitos das pessoas comuns continuaram a servir de material para os dramaturgos. Mas muitos autores teatrais também fizeram experimentos com maneiras novas e ousadas de narrar suas histórias.

O texto teatral no Brasil

O teatro no Brasil surgiu com motivação religiosa, para ajudar na propagação da fé, no século XVI. O padre José de Anchieta escreveu alguns autos (antiga composição teatral religiosa) e quis com eles catequizar os índios. O mais famoso é o Auto de São Lourenço, que foi escrito em português, espanhol e tupi-guarani.

Depois disso, só em 1838 a dramaturgia nacional esboçou sinais de vida. Foi o ano da estreia da primeira tragédia escrita por um brasileiro, a peça Antônio José ou o poeta e a Inquisição, da autoria de Gonçalves de Magalhães. A partir daí, veio o período da comédia de costumes, o gênero mais característico do teatro brasileiro, com Martins Pena; depois, desenvolveu-se o teatro romântico, com Gonçalves Dias, Machado de Assis, Joaquim Manuel de Macedo, José de Alencar, Álvares de Azevedo e Castro Alves. O início do século XX abriu espaço para o teatro de variedades.

A grande renovação veio nos anos 1930, com Oswald de Andrade, que utilizou recursos modernos totalmente inovadores, conhecidos como recursos metateatrais. Ele rompeu a unidade de ação e de espaço e também quebrou a ilusão dramática. Sua peça O rei da vela, de 1937, só foi encenada em 1960 e ainda hoje é considerada inovadora. Mas foi com Nelson Rodrigues, com sua peça Vestido de noiva, que teve início o moderno teatro brasileiro.

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