Os potiguaras (ou pitiguaras) são índios que vivem em áreas dos estados da Paraíba e do Ceará. Existem cerca de 16 mil potiguaras, segundo dados da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) de 2009. Eles estão distribuídos em aldeias nos municípios paraibanos de Marcação, Baía da Traição, Rio Tinto e Monte Mor, e nos municípios cearenses de Crateús, Monsenhor Tabosa e Tamboril. O nome significa em tupi “comedores de camarão”.

Os potiguaras fazem parte da família linguística tupi-guarani. Porém, como acontece com a maioria dos povos indígenas do Brasil, atualmente falam quase apenas português. Alguns, no entanto, estão reaprendendo a língua nativa.

Como vivem os potiguaras

Os potiguaras vivem da pesca, da criação de animais e do cultivo de mandioca, de feijão, de milho, de hortaliças e de algumas árvores frutíferas.

As famílias vivem em casas simples, construídas perto de rios ou de riachos. Em geral, moram nelas os pais junto com os filhos solteiros. Algumas aldeias têm escola, mercearia e igreja. A maioria das aldeias tem um cacique, mas existe um cacique-geral, como se fosse um presidente das aldeias, escolhido pelos próprios índios.

Festividades

Os potiguaras fazem diversas festas. Muitas delas são religiosas e, embora estejam ligadas a santos padroeiros das aldeias, marcam as épocas do plantio e da colheita, sendo consideradas ritos de fertilidade. Eles também comemoram as festas juninas e o Natal.

A festa mais característica é o toré. Trata-se de uma dança realizada por muitos grupos indígenas do Nordeste. O toré é encarado como um ritual sagrado para celebrar a amizade entre os diversos povos indígenas. Todos os habitantes da aldeia participam dele, inclusive as crianças. Durante o ritual, tocam-se zabumba e maracá para que os participantes cantem e dancem em movimentos circulares. As letras das músicas fazem referências a santos, a elementos da natureza e a figuras míticas.

História

Os potiguaras ocupavam áreas hoje pertencentes aos estados de Pernambuco, da Paraíba, do Ceará e do Rio Grande do Norte. (Hoje, usa-se comumente a palavra “potiguar” para designar as pessoas nascida no Rio Grande do Norte.) Os primeiros contatos entre esse povo indígena e estrangeiros aconteceu no início da colonização. Durante os séculos XVI e XVII, os potiguaras se aliaram aos franceses e aos holandeses em batalhas contra os colonizadores portugueses. O contato com o homem branco trouxe doenças, e muitos índios morreram de varíola.

No entanto, nas batalhas contra os holandeses, teve destaque especial um índio potiguara chamado Filipe Camarão. Ele ajudou os portugueses a reconquistar o território, revelando-lhe os segredos das emboscadas e das matas.

Durante mais de dois séculos não se teve mais notícias dos potiguaras. Os registros sobre eles voltaram a surgir apenas no século XX.

Demarcação das terras

Os potiguaras sempre foram considerados grandes guerreiros. E não perderam esse traço, apesar de ter assimilado muitos elementos da cultura do homem branco. Isso ficou comprovado recentemente no caso dos índios de Monte Mor, região localizada no litoral norte do estado da Paraíba.

Os indígenas de Monte Mor lutaram pela demarcação de suas terras. Após mais de dez anos de conflitos com fazendeiros plantadores de cana-de-açúcar e com usineiros, e de muita mobilização junto a órgãos públicos, à imprensa e a organizações não governamentais (ONGs), em 2007 os potiguaras saíram vitoriosos: o governo federal assegurou-lhes 7.487 hectares de terras naquela região.

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