Quadrinhas, cantigas e parlendas, entre outras brincadeiras com palavras, são alguns dos primeiros versos, falados ou cantados, que as crianças conhecem nos primeiros anos de vida. Geralmente, são compostas de versos curtos e singelos, sobre assuntos divertidos e com rimas fáceis de memorizar.

Tradicional forma de poesia folclórica, a quadrinha é formada por uma estrofe de quatro versos. Há um esquema de rimas entre o segundo e o quarto versos. Por exemplo: “Lá no fundo do quintal / Tem um tacho de melado, / Quem não sabe cantar verso / É melhor ficar calado”.

São bastante populares também as quadrinhas com adivinhas, chamadas por Luís da Câmara Cascudo de “quadras-adivinhas”. O ouvinte (ou leitor), por exemplo, é desafiado a decifrar de que tratam os versinhos a seguir: “Duas caixinhas iguais, / caixas de bom parecer / elas se abrem e se fecham / sem ninguém nelas mexer”. Acerta quem arriscar que as “caixinhas” que se abrem e se fecham são os olhos.

O cancioneiro infantil inclui as cantigas de berço e as cantigas de roda, entre outras. Logo nos primeiros dias de vida as crianças já ouvem as cantigas de berço, ou canções de ninar. São as músicas para embalar o sono das crianças bem pequenas, geralmente entoadas pelas mães ou amas (como as babás eram chamadas no passado) em tom amoroso. Diversas das canções de ninar brasileiras vieram de Portugal.

A escritora Cecília Meireles explicou certa vez que boa parte das cantigas de ninar brasileiras falam do “menino ameaçado”. Ele tem sempre à espreita papões como a Cuca, mas um protetor (o pai, a mãe ou a ama) estão por perto para espantar os bichões da noite infantil.

As crianças maiores, que já andam, correm e falam, entram nas rodas para brincar de cantar músicas como “Ciranda, cirandinha”, “Fui no Tororó” e “Sambalelê”. As cirandas de roda são passadas de geração para geração.

No vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, as crianças brincam de jogar versos em rodas. Funciona assim: num grande círculo, um menino ou uma menina puxa o refrão da música, com versos curtos; depois, os outros participantes vão cantando seus próprios versos aleatoriamente. Alguns versos eles aprendem com os mais velhos; outros inventam na hora da brincadeira mesmo.

Um dos refrões cantados pelas crianças da comunidade de Abadia, do município mineiro de Carbonita, diz: “Eu sou da lira, / Da lira eu sou. / Eu sou da lira, / Coração enganador”. Na sequência, outra criança pode cantar: “Abadia não é vila, / Mas também não é cidade, / Ela é uma chapadinha / Fazedeira de saudade”. Todos cantam o refrão novamente e, depois, outra criança joga outro verso. E brincam assim até se cansar.

Parlendas

As parlendas são brincadeiras com as palavras. “Parlar” ou “parlengar” quer dizer “tagarelar” ou “usar palavreado vazio”. Os portugueses chamavam as parlendas de “lengalengas” ou “cantilenas”. São versos meio maluquinhos, que não fazem sentido e servem para acalmar ou divertir as crianças. As parlendas têm palavras e sons divertidos como “Bão-balalão, / Senhor Capitão, / Espada na cinta, / Ginete na mão”.

Algumas parlendas funcionam para ensinar números, dias da semana ou cores às crianças pequenas. Nesse caso, são chamadas de “mnemonias”. Um exemplo é “Um, dois, feijão com arroz, / Três, quatro, feijão no prato / Cinco, seis, chegou minha vez, / Sete, oito, comer biscoito / Nove, dez, fritar pastéis”. Existem inúmeras variações diferentes da mesma parlenda, refletindo a criatividade e a espontaneidade das crianças de toda parte.

Adivinhas

As palavras também viram brincadeiras desafiadoras nas adivinhas. As adivinhas são enigmas, que começam sempre com “o que é, o que é?” O escritor Ricardo Azevedo, que destacou o folclore em sua obra, registrou adivinhas como “O que é, o que é, / Quando parte uma / Parte outra, / Quando chega uma / Chega outra?”. Acerta quem responder que são “as pernas”.

Trava-línguas

Os trava-línguas são também desafios divertidos que, como o próprio nome diz, fazem a criança se enrolar nas palavras. Para entender melhor o que é um trava-língua, basta tentar falar bem rápido os seguintes versos: “Um sapo dentro do saco, / O saco com o sapo dentro, / O sapo batendo papo, / O papo cheio de vento”. Ou: “Paca tatu, cutia não”, “O peito do pé do Pedro é preto” e “Pinga a pipa, / pia o pinto, / O pinto pia, / A pipa pinga”.

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