Quando alguém deixa o próprio país para buscar refúgio (ou proteção) em outro, é chamado de refugiado. Em alguns casos, as pessoas são obrigadas pelo governo a sair do país. Outras vezes, elas o abandonam porque fazem parte de um grupo que está sendo maltratado ou perseguido. Há ainda os que deixam a terra natal para fugir da guerra ou da fome.

Embora procurem abrigo em um novo país, frequentemente os refugiados continuam a pensar no país de origem como seu verdadeiro lar. Caso a situação mude, eles podem voltar para casa. Isso os diferencia dos migrantes, cuja mudança para um novo país quase sempre é permanente, e não temporária. Os refugiados também são diferentes dos chamados deslocados, que são pessoas obrigadas a deixar suas casas, mas não a abandonar o país.

Refugiados antes do século XX

Antes do século XX, muitas pessoas que não seguiam a religião de seu país natal foram forçadas a se refugiar por causa de perseguição religiosa. No século XV, um tribunal da Igreja Católica chamado Inquisição expulsou os judeus da Espanha. No início de 1685, os católicos franceses expulsaram da França os protestantes franceses — os huguenotes.

Geralmente esses refugiados não encontravam impedimentos nas fronteiras, pois não havia muitas normas que regulassem o deslocamento de um país para outro. Essa situação mudou quando surgiram as nações modernas, no século XIX. Para entrar em outro país, os refugiados passaram a precisar de uma autorização, normalmente concedida sob a forma de asilo político (o asilo político é uma proteção especial que evita que os refugiados sejam enviados de volta para o país que os maltratou).

Refugiados no início do século XX

As batalhas da Primeira Guerra Mundial (1914–18) geraram muitos refugiados oriundos da Bélgica, da França, da Itália e da Romênia. Depois do conflito, eles voltaram a se estabelecer em seus países de origem. A Revolução Russa de 1917, no entanto, expulsou para sempre mais de 1,5 milhão de pessoas da Rússia. Enquanto isso, a Turquia obrigou mais de 1 milhão de armênios a se mudar para a Síria e a Palestina entre 1915 e 1923.

A organização internacional chamada Liga das Nações, então recentemente fundada, resolveu lidar com o crescente problema dos refugiados, indicando o explorador norueguês Fridtjof Nansen para ajudá-los. Nansen criou um passaporte especial, chamado de Passaporte Nansen. Com ele, os refugiados podiam se deslocar livremente através das fronteiras internacionais. Em 1922, Nansen recebeu o Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho.

A Segunda Guerra Mundial e suas consequências

A Segunda Guerra Mundial (1939–45) gerou mais de 60 milhões de refugiados, grande parte deles formada por judeus que fugiam dos líderes nazistas da Alemanha. Muitos ingressaram nos Estados Unidos, enquanto outros foram para a América do Sul e outros lugares. Centenas de milhares de pessoas deixaram a Polônia em direção à União Soviética. Na Ásia, os ataques japoneses obrigaram mais de 30 milhões de chineses a abandonar suas casas.

Na Europa, muitos acontecimentos do pós-guerra provocaram o surgimento de mais refugiados. Milhões de alemães precisaram deixar uma região chamada Prússia Oriental quando ela se tornou parte da Polônia. Além disso, a União Soviética começou a instalar governos comunistas nos países do leste da Europa. Muitas pessoas foram embora desses países porque tinham medo de perder a liberdade.

A Organização das Nações Unidas (ONU) substituiu a Liga das Nações em 1945. Em 1950, a ONU estabeleceu uma agência para ajudar os refugiados, o Alto Comissariado para Refugiados. Essa agência ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1954 e em 1981.

Refugiados após a Segunda Guerra Mundial

As duas guerras mundiais não foram os únicos acontecimentos que provocaram o surgimento de grandes quantidades de refugiados. Em 1947, os britânicos dividiram a Índia, sua antiga colônia, em dois países independentes: a Índia, onde a principal religião era o hinduísmo; e o Paquistão, onde a religião era o islamismo. Dezoito milhões de pessoas cruzaram as fronteiras entre os dois países, a fim de morar no lugar onde sua religião era praticada.

Durante o século XX, muitos migrantes e refugiados judeus se fixaram no Oriente Médio, em uma região chamada Palestina. Em 1948, ali foi fundado o Estado de Israel, que ficou estabelecido como sendo a terra dos judeus. Depois disso, muitos árabes que já moravam na Palestina passaram a ser refugiados.

Milhões de refugiados fugiram das guerras asiáticas. Uma delas foi a Guerra da Coreia, entre 1950 e 1953. Outra foi a Guerra do Vietnã, que terminou em 1975. Outra ainda foi a invasão do Afeganistão pela União Soviética, na década de 1980. Mais de 1 milhão de refugiados abandonaram o Iraque durante a Guerra do Golfo Pérsico, em 1991.

Guerras civis na África também obrigaram milhões de pessoas a deixar a terra natal. Quando Cuba, um país do Caribe, se tornou comunista, em 1959, mais de 1 milhão de refugiados deixaram a ilha. A dissolução da Iugoslávia nos anos 1990 provocou combates entre seus diferentes grupos populacionais, e 2 milhões de pessoas tiveram de deixar sua terra natal. As ditaduras que dominaram vários países sul-americanos, inclusive o Brasil, na segunda metade do século XX, também geraram levas de refugiados políticos que buscaram proteção em várias partes do globo.

No começo do século XXI, um cálculo da ONU apontava que existiam cerca de 10 milhões de refugiados no mundo, muitos deles morando em campos de refugiados lotados porque não tinham conseguido encontrar uma casa nos países para os quais haviam fugido.

Em 2015, a intensificação de uma guerra civil na Síria deu origem a uma onda de dispersão em massa. Milhões de sírios vêm deixando seu país natal para se refugiar em nações vizinhas, como a Turquia e o Líbano, bem como na Europa, especialmente na Alemanha.

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