Duende travesso, negro e perneta, o saci, ou saci-pererê, é uma criatura do folclore brasileiro que vive aprontando diabruras nas zonas rurais do país: esconde objetos das pessoas, azeda o leite, espanta o gado e embaraça a crina dos cavalos, por exemplo.

Há muitas informações diferentes sobre a origem de seu nome: há quem diga que vem de çaa cy perereg, do tupi-guarani; outros afirmam que é originário de uma ave. Em vários países da América do SulArgentina, Paraguai e Uruguai —, existem histórias da criaturinha, que ganha nomes bem diversos.

A história do moleque saci é bem popular em todo o sul do Brasil. Provavelmente surgiu entre os índios guaranis, mas acabou se propagando mesmo entre os negros escravizados no país. O duende ganhou feições africanas, gorro vermelho e pito de barro.

É uma criatura noturna, apresenta um furo no centro de cada mão, é ligeiro, vive saltando numa perna só dando cambalhotas e tem o poder de ficar invisível sempre que necessário. O gorro vermelho é o objeto que dá poderes incríveis ao saci.

Dizem que o saci nasce no coração das florestas, depois de passar sete anos dentro dos gomos dos bambuzais. É pelo tamanho da orelha que se calcula a idade de um saci — quanto maior, mais velhinho é o endiabrado, que morre de medo de atravessar a água.

Criatura de Lobato

Monteiro Lobato teve papel importante na divulgação da figura do saci no imaginário popular. Em 1918, o escritor paulista publicou o livro O saci-pererê – resultado de um inquérito, lançado após pesquisa feita com leitores do jornal O Estado de S. Paulo. Alguns leitores o descreviam como um menino com uns doze anos, muito magro, feio e banguela, com riso velhaco.

O duende perneta ficou bastante famoso entre as crianças depois da publicação de outro livro de Lobato, O saci, em 1921. Na obra, Pedrinho pergunta sobre a criaturinha para Tio Barnabé, aquele que “entende de todas as feitiçarias”. E, com uma peneira, o garoto captura o saci no meio de um rodamoinho.

Outros sacis

Brasil adentro, o saci é também associado a histórias de aves metamorfoseadas Um famoso viajante que percorreu o país no século XIX, Ermanno Stradelli (1852-1926), conta que saci era uma pequena coruja, uma ave agourenta (que dá azar) que gritava repetidamente à noite. Essa coruja seria a alma de um pajé malvado, que anunciava desgraça a quem ouvia seus piados.

Outros folcloristas (estudiosos do folclore) dizem que na região amazônica existe ainda a lenda do saci-ave, que trata da tragédia de dois irmãos indígenas. Assassinados pelo tio, eles viraram aves que anunciam má sorte, morte e mistério. O som de seu canto é assim: “Ticuan! Ticuan!”

A figura do saci se mistura com outras do folclore brasileiro, como o caipora (ou caapora) e Romãozinho, no Centro-Oeste, e o matintaperera, no Norte. Mas o saci tem parentes até fora do Brasil. Na Alemanha, existe um ser chamado Kodolde, um diabinho agitado que não dá sossego aos donos da casa onde ele se fixa. A criatura até ajuda nos afazeres domésticos, mas, quando fica zangada, quebra a louça e suja a sala.

Translate this page

Choose a language from the menu above to view a computer-translated version of this page. Please note: Text within images is not translated, some features may not work properly after translation, and the translation may not accurately convey the intended meaning. Britannica does not review the converted text.

After translating an article, all tools except font up/font down will be disabled. To re-enable the tools or to convert back to English, click "view original" on the Google Translate toolbar.