Sertão é o nome que se dá a uma região agreste, do interior do país, distante dos centros urbanos. E quem vive no sertão é chamado “sertanejo”.

Originalmente, a palavra “sertão” referia-se ao interior do Brasil. O nome é derivado da expressão “desertão”, com que os portugueses costumavam se referir à grande região desabitada do país. Sertão, à época da colonização, era o interior de regiões como São Paulo, Minas Gerais, Goiás ou Mato Grosso, para onde os bandeirantes iam à procura de ouro e de índios para escravizar.

Era assim chamado também o interior do Nordeste, onde se iniciou o processo de interiorização do país, entre os séculos XVI e XVII, tendo o rio São Francisco como via natural de entrada. Com a ocupação do litoral nordestino pela cana-de-açúcar, a população com menos recursos se deslocou para a região mais central do Nordeste e passou a criar gado. A pecuária, ainda hoje, é sua principal atividade econômica e a marca do modo de ser do sertanejo nordestino.

Hoje, o termo aparece geralmente relacionado ao semiárido nordestino, também conhecido como “polígono das secas”. É uma terra pouco habitada, marcada pela seca e pela caatinga, com períodos de chuva concentrados em três meses do ano, quando a vegetação floresce. Para armazenar essa água são comuns as cisternas e os açudes.

Nesse cenário pouco amigável, o sertanejo vive de maneira austera. Caracterizado como homem de poucas palavras, vive em uma terra de mitos e de solidão. O sertão e seu povo foram temas de obras-primas da literatura brasileira, como Os sertões, de Euclides da Cunha, e Grande sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. No primeiro, uma reportagem sobre a Guerra de Canudos, que ocorreu no interior da Bahia de 1896 a 1897, Euclides da Cunha discorre sobre o sertão e sobre a vida do sertanejo em sua luta diária pela sobrevivência. Já o livro de Guimarães Rosa, um romance, retrata a aspereza da vida sertaneja através da história dos vaqueiros Riobaldo e Diadorim.

A música produzida no sertão ganhou também, nas últimas décadas, versões mais urbanizadas. Com isso, a chamada “música sertaneja” alcançou público maior e produziu nas últimas décadas muitos dos maiores sucessos da indústria fonográfica e do mundo do espetáculo no Brasil.

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