Teatro é um lugar aonde as pessoas vão para assistir a peças teatrais e outros espetáculos apresentados geralmente num palco. A palavra “teatro” também se refere a tudo o que diz respeito à produção de um espetáculo encenado ao vivo. A forma mais comum de representação no palco é a peça teatral, uma história que é encenada para uma plateia. Há também produções teatrais que utilizam outros elementos além da história: partes musicais, espetáculos de marionetes, números de circo, de ópera ou de balé ou de outras variedades de dança. Existem ainda os teleteatros, que são as peças de teatro apresentadas pela televisão.

Dentro do teatro

A parte mais importante de um teatro, como casa de espetáculos, é o palco, e o tipo mais comum de palco é chamado proscênio. No proscênio, a ação acontece numa área aparentemente fechada pelos outros lados e aberta apenas na frente, diante do público. A plateia assiste à produção que se desenvolve no palco como se estivesse vendo uma grande tela em três dimensões ou enxergando através da parede de uma sala. Alguns teatros têm um palco que avança parcialmente sobre a plateia. O público ocupa três lados da seção projetada desse palco. Já no chamado teatro de arena, também conhecido como palco de anfiteatro, o público se dispõe em torno do palco, pois ele fica no centro.

Outras partes importantes do teatro são os bastidores e os camarins. Há também uma cabine na qual técnicos controlam a iluminação e o som.

As pessoas do teatro

Montar uma peça de teatro é um trabalho de equipe. Muitas pessoas trabalham juntas e cada uma tem sua função. Em uma peça, os papéis mais visíveis são os dos atores. As pessoas principais que trabalham nos bastidores são o produtor e o diretor. O produtor é o principal responsável pelos negócios da peça, é quem obtém e administra o dinheiro para a montagem e busca patrocínios. O diretor é quem decide como a peça será encenada, e isso envolve dirigir o trabalho dos atores e da equipe técnica que trabalha nos bastidores. O diretor também comanda os ensaios. Um dramaturgo escreve o roteiro ou o texto da peça, que contém a história e as falas dos atores.

O diretor de cena cuida de toda a atividade dos bastidores durante a produção. O cenógrafo cria os cenários e a mobília. O aderecista cuida dos objetos pequenos, ou adereços, usados no palco. Os técnicos de luz iluminam o palco para focar sobre uma atividade determinada e para criar um clima. O maquiador e o figurinista ajudam os atores a ter a aparência adequada para seus papéis. O divulgador faz a propaganda do espetáculo, para atrair público.

Outros tipos de produções teatrais podem envolver outras pessoas com funções ou talentos especiais. Em um teatro de marionetes, por exemplo, várias pessoas desenham, fabricam e operam os marionetes ou fantoches. Em produções que envolvem dança, uma pessoa chamada coreógrafa pode criar todos os passos e movimentos de dança. Músicos e compositores podem fazer parte da equipe criando músicas especiais para o espetáculo.

História

Os primórdios do teatro

Na Grécia antiga, peças de teatro eram encenadas como parte de festivais especiais. O público ocupava assentos entalhados na encosta de uma colina que dava para o palco. Alguns teatros da Grécia antiga tinham capacidade para até 20 mil pessoas.

Na Europa, na Idade Média (cerca de 500-1500 d.C.), as peças frequentemente eram ligadas ao cristianismo. Inicialmente, elas eram encenadas em igrejas. Mais tarde, passaram a ser apresentadas ao ar livre — nos degraus de igrejas, sobre plataformas decoradas ou, às vezes, sobre carroças.

No Japão, no século XIV, surgiu um tipo de teatro chamado nô. As peças do teatro nô utilizam palavras, música e dança para narrar lendas. Homens ou meninos representam todos os papéis, incluindo os dos personagens femininos. Os atores não representam as cenas — em vez disso, usam seus movimentos e sua aparência como símbolos para sugerir a história. As peças do teatro nô são encenadas sobre um palco projetado. Ele tem quatro pilares coroados por um telhado curvo de templo.

O Renascimento (séculos XIV a XVI) foi um período de grande efervescência artística na Europa. Os grandes teatros erguidos nessa época criaram o modelo seguido pelos teatros de hoje. Os espetáculos grandiosos encenados neles eram geralmente voltados às classes altas. O povo comum ia assistir a grupos de atores ambulantes que apresentavam espetáculos de entretenimento cômico ao ar livre.

No final do século XV, muitos teatros foram abertos em Londres, na Inglaterra. O mais famoso deles foi o Teatro Globe, onde William Shakespeare encenou muitas de suas peças. Seu palco tinha uma plataforma que se projetava até a metade de um pátio aberto. O povo comum assistia às peças em pé no pátio. Os membros mais ricos do público ocupavam assentos, algumas vezes até em cima do palco, nas beiradas. Na época de Shakespeare, mulheres não atuavam no teatro. Os personagens femininos eram representados por homens ou meninos que se vestiam de mulheres, como no teatro nô japonês.

O teatro moderno

Um novo tipo de drama chamado cabúqui surgiu no Japão no século XVII, destacando o canto, a dança e a mímica (movimentos sem palavras). Os atores em uma peça de teatro cabúqui usam figurinos e maquiagens fortes e marcantes e empregam gestos estudados para expressar emoções fortes. O teatro cabúqui é encenado sobre um palco com plataforma projetada. Ela é estreita e elevada, e se estende no meio da plateia, percorrendo desde o palco até o fundo do teatro. Os atores usam a plataforma para dançar e para fazer entradas e saídas de cena importantes. O cabúqui foi criado por uma dançarina, mas a partir da década de 1650 os atores passaram a ser exclusivamente homens.

O cabúqui está relacionado a uma forma de teatro de bonecos japonês chamado bunraku, no qual os atores movimentam bonecos grandes para representar um drama. Um dos atores entoa as palavras da história. A tradição do teatro de bonecos também existe há muito tempo em vários outros países, como Indonésia, Turquia, Índia e China. Na Europa, espetáculos com fantoches apresentavam personagens favoritos do público em histórias divertidas.

Na Europa, no século XVII, muitos teatros começaram a usar o palco de proscênio, ou seja, com um arco retangular acima e dos dois lados do palco, completado pelo tablado sob os pés dos atores. Esse é o tipo de palco visto na maioria dos teatros modernos.

Nos séculos XVIII e XIX, vários atores da Europa e da América do Norte desenvolveram ideias novas sobre atuação. Antes deles, os atores com frequência liam suas falas, como se estivessem proferindo discursos. O ator inglês David Garrick desenvolveu um estilo de atuação mais natural, dizendo suas falas no espírito do personagem que estava representando.

No século XIX, a cidade de Nova York tornou-se o centro do teatro nos Estados Unidos, assim como Londres o era na Inglaterra. Na cidade de Manaus, em meio à selva amazônica brasileira, foi construída, de 1884 a 1896, uma grande casa de espetáculos, o Teatro Amazonas. Manaus era, na ocasião, uma das cidades mais prósperas do mundo, devido às riquezas geradas pelo Ciclo da Borracha.

No século XX, praticamente toda cidade média ou grande tem pelo menos um teatro para a realização de espetáculos, além de grupos teatrais, formados pelas pessoas dedicadas à arte da representação.

O teatro brasileiro

O teatro brasileiro teve um momento marcante na década de 1940 com a fundação do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), em São Paulo, e com o dramaturgo Nelson Rodrigues, do Rio de Janeiro, cujo drama Vestido de noiva (1943) se tornou um dos mais importante do Brasil. Rodrigues, preocupado com questões sociais e temas polêmicos, escreveu peças ousadas que foram elogiadas por sua orginalidade. Em 1944, Abdias do Nascimento fundou o Teatro Experimental do Negro no Rio de Janeiro, com o objetivo de valorizar a história e a cultura negras. Em meados da década de 1950, apareceram formas alternativas de teatro, como o Arena de São Paulo, com o qual foram associados os dramaturgos Vianna Filho, Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal. Eles eram ativistas políticos que usaram a figura do palhaço para criticar os problemas sociais do Brasil. O teatro social do Nordeste recebeu atenção nacional por meio das obras de Ariano Suassuna e Alfredo Dias Gomes. Esses teatros procuravam divulgar, geralmente para as pessoas de baixa renda, as mensagens educativas e abordagens pedagógicas do educador e escritor Paulo Freire. No século XXI, o teatro brasileiro continuou florescendo, em sintonia com as questões atuais.

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