A maioria das pessoas precisa trabalhar para alimentar-se, ter que vestir, ter onde morar e conseguir outras coisas. Até quem não trabalha depende do trabalho dos outros para viver.

Tipos de trabalho

Nas sociedades de organização mais simples, as pessoas trabalham em pequenos grupos familiares ou tribais. Porém nem todos realizam o mesmo trabalho. Em algumas sociedades, por exemplo, os homens saem para caçar e para lutar contra inimigos enquanto as mulheres colhem alimentos e cuidam das crianças. Isso se chama divisão de trabalho.

No passado, as sociedades dividiam o trabalho entre trabalhadores livres e escravos. As pessoas escravizadas realizavam os serviços mais desprezados pela comunidade e não podiam fazer outra coisa. Além disso, não eram pagas por seu trabalho. E, quando desobedeciam, eram punidas por seus senhores. Na história humana, sociedades das mais diferentes culturas e das mais diversas épocas escravizaram algum outro povo. Entre os séculos XVI e XIX, europeus usaram muitos africanos como escravos para trabalhar em suas colônias no continente americano. Países do Oriente Médio também levaram muitos escravos da África para a Ásia até o século XX.

Da mesma forma que os escravos, os trabalhadores que eram chamados servos também trabalhavam sem pagamento. Esse tipo de trabalho era muito comum na Europa durante a Idade Média (aproximadamente entre os séculos VI e XVI). Os servos trabalhavam a terra pertencente a pessoas que detinham mais poder, os senhores. Diferentemente dos escravos, eles não podiam ser vendidos, mas não eram livres para deixar a terra.

Nas cidades europeias da Idade Média, alguns produtos requeriam habilidades específicas para ser feitos. Quem os fazia e vendia eram os artesãos. Associações chamadas guildas ou corporações controlavam cada trabalho manual. Havia guildas para tecelões, ferreiros, padeiros, pintores etc. Os jovens que aprendiam um ofício realizando trabalho não pago de ajudante eram chamados de aprendizes. Os trabalhadores adultos, chamados artífices, eram pagos. E aqueles que eram donos de um negócio eram os mestres.

Uma grande mudança nas relações de trabalho teve início no século XVIII, com a Revolução Industrial. Inventores passaram a criar máquinas que facilitavam e agilizavam a produção de diversas mercadorias em fábricas. Muitos agricultores e artesãos deixaram suas profissões para trabalhar nas fábricas. O trabalho operário não necessitava especialização, o que levou ao desaparecimento das guildas. Os operários trabalhavam por longas jornadas em condições nada saudáveis e recebiam muito pouco por isso. Além disso, as fábricas empregavam muitas crianças.

Movimentos trabalhistas

Os trabalhadores logo passaram a reivindicar melhores condições de trabalho a seus empregadores. Muitos formaram grupos chamados sindicatos trabalhistas ou sindicatos operários. Os sindicatos muitas vezes convocavam os trabalhadores para entrar em greve e permanecer nela até que os empregadores atendessem aos seus pedidos.

Nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, os trabalhadores especializados formaram as primeiras uniões trabalhistas. Após a Guerra de Secessão, formaram-se diversos grupos de trabalhadores. Por exemplo, os sindicatos fundaram a Federação Americana de Trabalho (que tem a sigla AFL, em inglês) na década de 1880.

Por volta de 1930, o governo americano finalmente concedeu algum auxílio aos trabalhadores. A National Labor Relations Act (Lei Nacional de Relações Trabalhistas) de 1935 concedeu aos trabalhadores o direito de fazer parte de sindicatos. Outras leis proibiram o trabalho infantil, deram auxílio a desempregados, fizeram aumentar os salários e encurtaram a duração do trabalho diário.

Em 1936, diversos sindicatos formaram o Congresso de Organizações Industriais (CIO, da sigla de seu nome em inglês), que apoiava os trabalhadores de grandes indústrias como a metalúrgica, a automobilística e a de borracha. No final dos anos 1930, os sindicatos representavam quase 30 por cento dos trabalhadores americanos.

A AFL e o CIO uniram-se em 1955 numa organização conhecida como AFL-CIO, que se tornou uma força política nos Estados Unidos. Ela buscava segurança no trabalho, igualdade de direitos para mulheres e minorias e pensões maiores (pagamento para pessoas aposentadas).

Na segunda metade do século XX, nos EUA, o número de membros de sindicatos decresceu. Em parte, porque as empresas estavam transferindo os empregos para fora do país. No início do século XXI, apenas 8 por cento dos trabalhadores de empresas privadas faziam parte de sindicatos. No entanto, 35 por cento dos funcionários públicos eram membros de sindicatos.

Na Europa

Os trabalhadores europeus também tiveram que lutar muito por melhores condições de trabalho e por salários maiores. Na Europa, no entanto, os sindicatos geralmente se associavam a partidos políticos que apoiavam o socialismo. Em muitos países europeus esses partidos conseguiram que o governo concedesse generosos benefícios aos trabalhadores. Os sindicatos europeus contavam com mais membros do que os americanos.

Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), muitos países da Europa oriental adotaram o comunismo — que é é um sistema político em que o governo tem controle sobre os meios de produção e no qual os trabalhadores deveriam partilhar a propriedade de maneira igualitária. Na verdade, nos países comunistas os sindicatos não tinham muito poder. Neles, o governo tinha total controle sobre os sindicatos. Em 1980, contudo, trabalhadores da Polônia formaram um sindicato que conquistou muito poder. Seu nome era Solidarnosc (Solidariedade). No início, o governo proibiu o sindicato, mas os trabalhadores continuaram a protestar e a fazer greves. Eles reivindicavam espaço político e melhores condições de trabalho. No fim, o governo permitiu a participação dos membros do Solidariedade nas eleições, o que levou ao fim do regime comunista na Polônia.

No Brasil

No Brasil, com a abolição da escravatura e a proclamação da República, a economia se diversificou e muitos imigrantes vieram da Europa. Esses trabalhadores tinham a experiência do trabalho assalariado e dos direitos trabalhistas conquistados em seus países de origem. Chegando ao Brasil, eles deparavam com uma sociedade muito atrasada nas relações de trabalho. Esses trabalhadores começaram a se organizar em grupos que viriam a se tornar sindicatos. O movimento sindical fortaleceu-se no século XX por causa do processo de industrialização.

O movimento sindical mais forte no Brasil ocorreu em São Paulo, onde os imigrantes integravam a massa de trabalhadores das fábricas. Em 1930, o governo federal criou o Ministério do Trabalho e, em 1931, regulamentou por decreto a sindicalização de patrões e de operários. Com o golpe militar de 1964, contudo, os sindicatos e os sindicalistas foram duramente reprimidos. No presente, questões mais imediatas, como a necessidade de criação de novos empregos e a globalização dos serviços, praticamente anularam o sindicalismo em certos setores.

Em outras regiões

Na Ásia e na África, os trabalhadores iniciaram os movimentos trabalhistas na época em que seus países lutavam pela independência em relação a suas metrópoles europeias. Em alguns países da América do Sul, os sindicatos às vezes aliavam-se aos governos para proteger os trabalhadores.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) foi fundada em 1919 por diversos países. A organização tem representação no Brasil desde 1950. Hoje ela é uma agência da Organização das Nações Unidas. Seu papel é proteger os direitos dos trabalhadores e dos sindicatos e auxiliar os países na criação de leis trabalhistas mais justas.

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