São Jorge foi um dos primeiros mártires cristãos. Durante a Idade Média, tornou-se um símbolo de coragem e abnegação (abnegar-se significa dedicar-se mais às necessidades dos outros do que às nossas próprias). A vida e os feitos de São Jorge não têm confirmação histórica, mas as lendas sobre ele como santo guerreiro, surgidas no século VI, são muito populares.

Vida

Diz a lenda que Jorge nasceu na região da Capadócia, onde hoje é a Turquia, em uma família que aceitava a fé em Cristo (algo que contrariava a religião oficial da época). Ainda criança, perdeu o pai e foi com a mãe para a Palestina. Sua família tinha recursos, por isso ele recebeu uma boa educação. Jorge entrou para o exército do Império Romano e logo chegou ao posto de capitão. Ele recebeu títulos de nobreza e, como membro da aristocracia, passou a residir na corte imperial e a exercer funções importantes.

O imperador romano na época era Diocleciano. Diocleciano via o cristianismo como uma ameaça à integridade de seu império. Por esse motivo, no ano 303, ele lançou três decretos de perseguição aos cristãos. Essa decisão foi apoiada por todos os funcionários de alto cargo, exceto por Jorge, que se manifestou contra a medida do imperador. Ele afirmou publicamente sua fé em Cristo e chamou de falsos todos os deuses adorados nos templos de então. Por esse motivo, foi preso e torturado. Como ele não renegou sua fé cristã, acabou sendo condenado à morte. Jorge foi decapitado no dia 23 de abril de 303 (data estimada).

O culto a São Jorge

São Jorge é o padroeiro da Inglaterra. Acredita-se que foram os cruzados que, no século VIII, voltando da Terra Santa, popularizaram seu culto. Ele foi escolhido como patrono da Inglaterra no século XIV. Também foi adotado como patrono de várias outras potências medievais, como Portugal, Gênova e Veneza.

Com o fim da era da cavalaria e o surgimento da Reforma protestante, o culto a São Jorge diminuiu. Sua festa, comemorada no dia 23 de abril, foi perdendo importância no calendário da Igreja da Inglaterra. Na década de 1960, a Igreja Católica deixou de considerá-lo santo, por não haver prova de sua existência real. No entanto, como muitos fiéis católicos continuaram a venerá-lo, a Igreja declarou que seu culto seria opcional nos lugares onde ele já era tradicionalmente venerado. São Jorge foi reabilitado em 2000, pelo papa João Paulo II.

Em Portugal, acredita-se que a devoção a São Jorge tenha sido introduzida por cruzados ingleses, no século XIII. Mas foi apenas no reinado de dom João I (1385–1433), devoto do santo, que São Jorge passou a patrono do país.

No Brasil, São Jorge está entre os santos mais populares. Seu culto foi trazido pelos colonizadores portugueses, mas tornou-se ainda mais disseminado depois que os escravos africanos associaram sua imagem à de orixás, como Ogum e Oxóssi.

Na arte, o santo é frequentemente retratado como um jovem vestindo uma armadura de cavaleiro, com uma cruz vermelha estampada. Também é quase sempre representado matando um dragão com sua longa lança. Uma das lendas principais sobre São Jorge conta que ele matou um dragão feroz que aterrorizava a Capadócia. Segundo a tradição popular, as manchas que aparecem na Lua representam o santo com seu cavalo e sua lança, enfrentando o dragão.

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