O abolicionismo foi um movimento iniciado no final do século XVIII pelas pessoas que se opunham à escravidão e que se mobilizaram para abolir essa prática — ou seja, acabar com ela. Os integrantes do movimento se tornaram conhecidos como abolicionistas.

Os europeus começaram a escravizar africanos no final do século XV. Depois de chegar à América, os europeus estabeleceram colônias. Em uma primeira etapa, capturaram índios e os tornaram escravos. Nos séculos seguintes, graças em especial à condenação da escravidão de indígenas pelos padres católicos nas colônias espanholas e no Brasil, os índios foram sendo deixados de lado no trabalho escravo. No entanto, muitos africanos passaram a ser trazidos de navio para as colônias de toda a América, a fim de trabalhar principalmente nas plantações de café, algodão e engenhos de açúcar.

Até o século XVII houve raros protestos contra a escravidão, com exceção dos esforços dos padres jesuítas no Brasil e de outros frades nas colônias espanholas, além de alguns habitantes das colônias inglesas que, no século XVII, condenaram a escravidão por motivos religiosos. Aos poucos, porém, cada vez mais pessoas foram se opondo à ideia de considerar outros seres humanos como propriedade privada.

Esforços antiescravagistas pelo mundo

A primeira organização oficial a lutar pela abolição da escravatura foi a Sociedade Abolicionista, fundada em 1787 na Grã-Bretanha. Em 1807, os britânicos decidiram abolir o comércio de escravos em suas colônias. Por volta de 1833, todos os escravos das colônias britânicas do hemisfério ocidental haviam sido libertados. Outros países da Europa logo seguiram o exemplo. A França proibiu o comércio de escravos em 1819, e em 1848 a escravidão foi abolida também nas colônias francesas.

Com os movimentos de emancipação nas Américas do Norte e do Sul, a escravidão foi sendo abolida aos poucos. No México, a escravidão foi extinta em 1810; no Chile, foi aprovada em 1811 a chamada lei do ventre livre, que dava liberdade aos filhos de escravas que nascessem dali em diante.

Nos Estados Unidos

Assim como o Brasil, os Estados Unidos foram um grande centro escravagista no continente americano. O comércio de escravos foi oficialmente abolido em 1807, mas o contrabando de escravos continuou até a Guerra de Secessão, em 1865. Com o crescimento das plantações de algodão no Sul, a demanda por mão de obra escrava aumentou. Os estados sulistas apoiavam a escravidão. Por outro lado, em 1804, todos os estados ao norte de Maryland já haviam abolido essa prática. O Norte se tornou o centro do movimento abolicionista nos Estados Unidos.

Um dos principais líderes abolicionistas norte-americanos foi William Lloyd Garrison. Em 1833, ele fundou a Sociedade Americana Antiescravista. Entretanto, os abolicionistas americanos nem sempre concordavam sobre a maneira de erradicar a escravidão. Alguns queriam que o governo promulgasse leis. Outros tentavam ajudar escravos fugitivos individualmente, organizando uma rede secreta para facilitar sua chegada a lugares seguros no norte dos Estados Unidos ou no Canadá.

O abolicionismo ganhou força à medida que um número cada vez maior de pessoas ficou ciente dos males da escravidão e da crueldade dos caçadores de escravos que traziam os fugitivos para seus donos. A cabana do Pai Tomás (1852), romance de Harriet Beecher Stowe, descreve como os escravos eram maltratados. Esse livro se tornou extremamente popular.

Em novembro de 1860, Abraham Lincoln foi eleito presidente dos Estados Unidos, opondo-se à expansão da escravidão. O Sul então se sentiu ameaçado. Nos três meses seguintes, um grupo de estados sulistas separou-se dos Estados Unidos e formou a Confederação, o que provocou a Guerra de Secessão (1861–65). Durante os combates, em 1863, Lincoln promulgou a Proclamação de Emancipação, que libertou todos os escravos dos estados confederados. Em 1865, a Confederação foi derrotada. A escravidão foi então abolida nos Estados Unidos pela 13a Emenda Constitucional.

No Brasil

A grande figura do abolicionismo no Brasil foi Joaquim Nabuco. De 1878 a 1888, como deputado, ele foi o principal representante do movimento abolicionista. Nabuco foi o fundador da Sociedade Antiescravidão Brasileira.

Em 28 de setembro de 1871, foi aprovada a Lei do Ventre Livre. Por ter sido sancionada pelo visconde do Rio Branco, a lei também é conhecida como Lei Rio Branco.

Outra figura importante do abolicionismo brasileiro foi José do Patrocínio, um escritor e jornalista republicano. Ele enfrentou grandes dificuldades devido à sua origem social — filho de uma escrava alforriada e de um padre — e atuou pela abolição definitiva da escravidão no Brasil. Patrocínio foi redator do jornal Gazeta de Notícias, onde iniciou sua campanha pró-abolição da escravatura, ao lado de Joaquim Nabuco e de outros abolicionistas. Ele ajudava muitos negros a fugir ou a comprar a alforria. Em 1883, fundou a Confederação Abolicionista, que reunia todos os clubes abolicionistas do país, e redigiu e assinou um manifesto em defesa de sua causa.

A escravidão foi oficialmente abolida no Brasil em 13 de maio de 1888, durante o governo imperial. A princesa Isabel, filha do imperador dom Pedro II, assinou a Lei Áurea, que extinguiu a escravidão no país.

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